Há frases que funcionam como martelo: batem no hype, fazem barulho, deixam marca. O problema começa quando o martelo vira régua. Dizer que a IA não é “inteligente” nem “artificial” pode ser um bom choque retórico – mas, sem definir termos, vira o tipo de afirmação que parece profunda, porém, escapa de qualquer teste.
causalidade
Correlação e Causalidade: por que “andar junto” pode não provar nada?
Dois fenômenos podem caminhar lado a lado por anos – e ainda assim não ter relação causal. O problema é que a mente ama coincidências com cara de explicação: “aconteceu junto, logo foi por causa”. Em ciência (e fora dela), essa pressa produz diagnósticos ruins, políticas ruins e certezas barulhentas demais para pouca evidência.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro VI: Ciências morais e sociais – método, limites e ambições
O mundo físico costuma perdoar pouco: errou o cálculo, a ponte cai. O mundo humano é mais educado – ele deixa o erro sobreviver como “explicação plausível”. No Livro VI, Mill enfrenta essa cordialidade perigosa: como aplicar método quando as causas se empilham, os contextos mudam e a linguagem tenta substituir evidência?
Sistema de Lógica (Mill) – Livro III: Indução – o salto controlado do particular ao geral
A ciência vive de um movimento arriscado: olhar alguns casos e afirmar algo sobre muitos. Isso pode ser método ou pode ser superstição com jaleco. No Livro III, Mill entra no coração desse risco: quando a generalização é legítima, quando é só pressa, e como a ideia de causa tenta pôr disciplina no “funcionou comigo”.
Sistema de Lógica: John Stuart Mill
A ciência não avança só com descobertas; ela avança quando aprende a justificar. Mill escreve como quem ajusta as ferramentas antes de construir: linguagem, inferência, indução, método, falácias e, por fim, o terreno humano. Se a obra é longa, a ambição é simples: menos brilho retórico, mais lastro.