“Eu vi com meus olhos.” “Saiu um estudo.” “Todo mundo sabe.” Tudo isso é apresentado como evidência — e, de certo modo, é. O problema é que nem toda evidência pesa igual. E confundir pista com prova é o erro mais democrático que existe: todo mundo comete.
filosofia da ciência
A ciência sabe escutar? Koko Tavi e a disputa pelo nome do sofrimento
Doença, crise, possessão, nervos — cada palavra abre um caminho de cura e fecha outros. Quando o sofrimento tem mais de um nome, a pergunta que vale fazer muda: de “qual o diagnóstico?” para “quem escolheu o nome — e o que ficou de fora?”
A pirâmide de Maslow não é de Maslow
Todo mundo conhece a pirâmide das necessidades. Livros didáticos, treinamentos corporativos, palestras motivacionais — ela está em toda parte. Só que Maslow nunca a desenhou. A pirâmide não está no artigo original. E a teoria que está lá é mais interessante do que a imagem que a substituiu.
O que é Filosofia da Ciência?
A ciência costuma dizer: “é assim”. A filosofia da ciência entra na sala e pergunta: “como você sabe?” — não para atrapalhar, mas para evitar que confiança vire descuido.
“Isso é só uma teoria”: O truque semântico que faz ciência parecer opinião
A frase “isso é só uma teoria” funciona como carimbo: tenta rebaixar uma explicação científica ao nível de palpite. O problema é que ela troca o dicionário no meio da conversa. No cotidiano, “teoria” pode ser um chute. Na ciência, é o nome que damos quando a explicação já foi testada, criticada e… continua de pé.
IA não é “inteligente” nem “artificial”: Quando a frase vira argumento (e quando vira atalho)
Há frases que funcionam como martelo: batem no hype, fazem barulho, deixam marca. O problema começa quando o martelo vira régua. Dizer que a IA não é “inteligente” nem “artificial” pode ser um bom choque retórico — mas, sem definir termos, vira afirmação que parece profunda e escapa de qualquer teste.
Correlação e Causalidade: por que “andar junto” pode não provar nada?
Dois fenômenos podem caminhar lado a lado por anos — e ainda assim não ter relação causal. A mente ama coincidências com cara de explicação: “aconteceu junto, logo foi por causa”. Em ciência e fora dela, essa pressa produz diagnósticos ruins e certezas barulhentas demais.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro VI: Ciências morais e sociais – método, limites e ambições
O mundo físico costuma perdoar pouco: errou o cálculo, a ponte cai. O mundo humano é mais educado — ele deixa o erro sobreviver como “explicação plausível”. No Livro VI, Mill enfrenta essa cordialidade perigosa: como aplicar método quando as causas se empilham, os contextos mudam e a linguagem tenta substituir evidência?
Sistema de Lógica (Mill) – Livro V: Falácias – quando o erro vem bem vestido
Alguns erros são óbvios; mas os perigosos são os que parecem método. O Livro V é o catálogo do engano respeitável: raciocínios que soam firmes, argumentos que “fecham”, provas que convencem — e, ainda assim, erram. Mill não trata falácia como truque retórico; trata como falha de disciplina.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro IV: Operações auxiliares à indução – o bastidor do método
A indução é a subida; o Livro IV é o corrimão. Depois de discutir como se passa do particular ao geral, Mill desce para o trabalho menos glamouroso (e mais decisivo): observar, descrever, abstrair, nomear, definir e classificar. É aqui que a ciência deixa de ser “intuição” e vira disciplina.