Karl Popper: o filósofo que fugiu de Viena e desafiou o consenso

Karl Popper, filósofo austríaco-britânico, criador do conceito de falsificabilidade, em seu escritório.

Foi marxista aos dezesseis e anticomunista aos vinte. Formou-se marceneiro antes de virar filósofo. Fugiu do nazismo para o outro lado do planeta — e, ao voltar, ameaçou Wittgenstein com um atiçador de lareira. Karl Popper não era exatamente o tipo de filósofo que se contenta em pensar em silêncio.

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Thomas Kuhn: o físico que mudou a forma como entendemos a ciência

Thomas Kuhn, físico e filósofo da ciência, autor de A Estrutura das Revoluções Científicas, sentado diante de estante com livros antigos.

Você já usou a expressão “mudança de paradigma”? Então citou Thomas Kuhn sem saber. Físico de formação, abandonou o laboratório para fazer uma pergunta muito interessante: e se a ciência não avançar em linha reta? A resposta vendeu mais de um milhão de cópias — e irritou cientistas e filósofos por igual.

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O que conta como evidência?

Jovem de óculos e cabelos cacheados com a mão no queixo, expressão de dúvida e avaliação, sobre fundo claro.

“Eu vi com meus olhos.” “Saiu um estudo.” “Todo mundo sabe.” Tudo isso é apresentado como evidência — e, de certo modo, é. O problema é que nem toda evidência pesa igual. E confundir pista com prova é o erro mais democrático que existe: todo mundo comete.

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A ciência sabe escutar? Koko Tavi e a disputa pelo nome do sofrimento

Página dos manuscritos de Koko Tavi, caderno escrito à mão em português com relatos sobre a história e a saúde do povo Galibi Marworno do rio Uaçá, Oiapoque, Amapá.

Doença, crise, possessão, nervos — cada palavra abre um caminho de cura e fecha outros. Quando o sofrimento tem mais de um nome, a pergunta que vale fazer muda: de “qual o diagnóstico?” para “quem escolheu o nome — e o que ficou de fora?”

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A pirâmide de Maslow não é de Maslow

Abraham Maslow, de terno escuro, segura um giz e olha com desaprovação para a pirâmide das necessidades riscada com um X vermelho no quadro-negro atrás dele.

Todo mundo conhece a pirâmide das necessidades. Livros didáticos, treinamentos corporativos, palestras motivacionais — ela está em toda parte. Só que Maslow nunca a desenhou. A pirâmide não está no artigo original. E a teoria que está lá é mais interessante do que a imagem que a substituiu.

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“Isso é só uma teoria”: O truque semântico que faz ciência parecer opinião

mulher com expressão de irritação em um ambiente claro, com um quadro ao fundo mostrando o retrato de Albert Einstein desconfiado.

A frase “isso é só uma teoria” funciona como carimbo: tenta rebaixar uma explicação científica ao nível de palpite. O problema é que ela troca o dicionário no meio da conversa. No cotidiano, “teoria” pode ser um chute. Na ciência, é o nome que damos quando a explicação já foi testada, criticada e… continua de pé.

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IA não é “inteligente” nem “artificial”: Quando a frase vira argumento (e quando vira atalho)

Dois homens frente a frente observam um robô humanoide ao centro, em fundo vermelho.

Há frases que funcionam como martelo: batem no hype, fazem barulho, deixam marca. O problema começa quando o martelo vira régua. Dizer que a IA não é “inteligente” nem “artificial” pode ser um bom choque retórico — mas, sem definir termos, vira afirmação que parece profunda e escapa de qualquer teste.

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Correlação e Causalidade: por que “andar junto” pode não provar nada?

Mural com mapa, fotos e fios vermelhos conectando pontos, enquanto uma mão aponta para o quadro.

Dois fenômenos podem caminhar lado a lado por anos — e ainda assim não ter relação causal. A mente ama coincidências com cara de explicação: “aconteceu junto, logo foi por causa”. Em ciência e fora dela, essa pressa produz diagnósticos ruins e certezas barulhentas demais.

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Sistema de Lógica (Mill) – Livro VI: Ciências morais e sociais – método, limites e ambições

Retrato de John Stuart Mill ao lado de um selo vermelho com o número 6.

O mundo físico costuma perdoar pouco: errou o cálculo, a ponte cai. O mundo humano é mais educado — ele deixa o erro sobreviver como “explicação plausível”. No Livro VI, Mill enfrenta essa cordialidade perigosa: como aplicar método quando as causas se empilham, os contextos mudam e a linguagem tenta substituir evidência?

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