No curso Pense Como Cientista, Marcelo Gleiser refaz em quinze aulas o caminho do pensamento científico, do xamã ao laboratório, e mostra como as mesmas ferramentas servem para avaliar qualquer informação do dia a dia.
Filosofia da Ciência
O que torna algo científico, o que não torna e por que essa distinção importa mais do que parece, ainda mais quando todo mundo diz que “a ciência provou”.
Qual a importância dos instrumentos na ciência?
A importância dos instrumentos na ciência aparece em qualquer medida: algumas ciências manipulam o objeto em laboratório, outras só observam de longe, e em todas a precisão do instrumento define até onde uma afirmação pode ir.
Como surgiu a ciência?
A ciência surgiu quando a pergunta sobre o mundo trocou de endereço: saiu dos deuses e foi para a matéria. Essa passagem tem raízes no xamã, intérprete da natureza, e ganha forma com os filósofos gregos de Mileto.
Por que errar faz parte da ciência?
O erro na ciência funciona como matéria-prima: Kepler levou anos para abandonar o círculo, Einstein reviu o próprio universo diante dos dados de Hubble. Dúvida, fracasso e humildade sustentam o método e servem muito além do laboratório.
Quais foram as contribuições de Galileu para a ciência?
As contribuições de Galileu para a ciência vão do telescópio ao pêndulo e têm um fio comum: desconfiar das aparências e levar cada pergunta sobre a natureza para o experimento.
Johannes Kepler e as órbitas elípticas
Johannes Kepler passou anos tentando encaixar os dados de Tycho Brahe em órbitas circulares. Quando aceitou a elipse, deu à astronomia suas primeiras leis matemáticas e à ciência um exemplo raro de honestidade diante dos próprios desejos.
A ilha do conhecimento: quanto mais sabemos, mais ignoramos?
A ilha do conhecimento é a metáfora de Marcelo Gleiser para os limites da ciência: tudo o que sabemos cresce cercado por um oceano de desconhecido, e cada avanço aumenta a margem onde nascem perguntas que antes nem existiam.
O mapa não é o território: o que isso significa na ciência?
A expressão “o mapa não é o território” resume o limite de toda teoria científica: cada modelo representa uma parte da realidade, com uma missão definida, e nenhum deles consegue ter o tamanho do mundo que descreve.
Por que confiar na ciência?
Há bons motivos para confiar na ciência, e eles estão no modo como ela trabalha: qualquer afirmação pode ser checada por outros, nenhuma autoridade dispensa o teste e cada erro encontrado corrige o conjunto.
O que é o método indutivo de Francis Bacon?
O método indutivo parte de observações sempre incompletas para chegar a leis gerais. Francis Bacon fez dele o centro da ciência moderna, junto com uma exigência que ainda vale: toda afirmação precisa passar pelo teste da experiência.