A inteligência artificial reacende uma pergunta antiga: o que acontece quando uma criação começa a agir de modo que seu criador não consegue prever totalmente? De Frankenstein aos modelos generativos, o medo mudou de cenário. Saiu do laboratório gótico e entrou nos sistemas que escrevem, recomendam, classificam e decidem.
filosofia da tecnologia
Artefatos têm política: IA como tecnologia de poder no cotidiano
A política nem sempre veste terno. Às vezes, ela veste interface. Quando a inteligência artificial recomenda, classifica, prioriza ou bloqueia, ela organiza escolhas. O poder aparece no botão, no ranking, no filtro, na pontuação e nos critérios que quase nunca vemos.
AGI como horizonte: por que a inteligência artificial geral sempre recua?
AGI, ou inteligência artificial geral, costuma aparecer como o grande horizonte da IA. Uma máquina capaz de aprender tarefas variadas, transferir habilidades e lidar com situações novas. Mas esse horizonte se move: sempre que a máquina automatiza uma competência, a régua da inteligência muda.
Autômatos, “máquinas pensantes” e o medo antigo do imitador
A história da IA não começa com código: começa com um espelho mecânico. Autômatos imitam vida o suficiente para encantar – e para acender um alerta. Quando a máquina chega perto demais do humano, ela embaralha fronteiras: ferramenta ou rival, truque ou presença, brinquedo ou ameaça?
Ciência e Tecnologia: Qual é a diferença – e por que ela importa?
Quando o celular melhora, a gente diz “a ciência fez”. Quando o remédio funciona, idem. Só que ciência e tecnologia andam juntas sem ser a mesma coisa — e confundir as duas tem preço.
A promessa da neutralidade: por que a EPT nunca foi apenas técnica?
A formação profissional costuma ser apresentada como algo direto, objetivo, quase mecânico. Um conjunto de procedimentos que, se ensinados corretamente, prepararia alguém para atuar no mundo do trabalho. A narrativa parece limpa, eficiente, confortável. E profundamente enganosa.
Quando a tecnologia vira mito: por que a EPT precisa devolver o humano ao centro?
A tecnologia costuma chegar antes da conversa séria sobre o que fazer com ela. Vem acompanhada daquela promessa silenciosa, quase mágica: “agora vai”. Mas toda vez que essa crença reaparece, embalada por discursos de inovação, eficiência e modernização, um velho alerta retorna: estamos debatendo tecnologia ou apenas nos curvando diante dela?