No curso Pense Como Cientista, Marcelo Gleiser refaz em quinze aulas o caminho do pensamento científico, do xamã ao laboratório, e mostra como as mesmas ferramentas servem para avaliar qualquer informação do dia a dia.
Entre outubro de 2022 e março de 2023, o físico Marcelo Gleiser publicou no YouTube um curso gratuito de quinze aulas, dividido em cinco módulos. O título, Pense Como Cientista, resume o objetivo: ensinar a desconfiar bem. As aulas atravessam dois mil e quinhentos anos de história, dos filósofos gregos à mecânica quântica, e cada uma termina com uma aplicação fora do laboratório.
O Ramos da Ciência transformou o curso numa série de posts. Cada um parte de uma ou mais aulas, confere os dados, corrige imprecisões e acrescenta informações e leituras próprias. Esta página é o mapa da série.
Quem é Marcelo Gleiser
Marcelo Gleiser nasceu no Rio de Janeiro, em 1959, e é professor de física e astronomia no Dartmouth College, nos Estados Unidos. Em 2019, recebeu o Prêmio Templeton, o primeiro latino-americano a ganhá-lo, pelo trabalho que aproxima ciência, filosofia e espiritualidade. Foi colunista da Folha de S.Paulo e é autor de livros como A Dança do Universo, A Ilha do Conhecimento e o romance A Harmonia do Mundo, sobre Johannes Kepler. A trajetória completa está no perfil de Marcelo Gleiser. Na televisão, apresentou séries de divulgação como Poeira das Estrelas, no Fantástico, e levou a física a um público que nunca tinha aberto um livro de ciência.
Os cinco módulos do curso de Marcelo Gleiser
Cada módulo tem três aulas. Os posts da série seguem a mesma ordem:
- Origens da ciência (aulas 1 a 3). Do xamã aos filósofos de Mileto, e o confronto entre Platão e Aristóteles. Posts: Como surgiu a ciência? e Qual a diferença entre Platão e Aristóteles?
- Origens do método (aulas 4 a 6). Bacon propõe, Galileu testa, Kepler aceita a elipse. Posts: O que é o método indutivo de Francis Bacon?, Quais foram as contribuições de Galileu para a ciência? e Johannes Kepler e as órbitas elípticas
- O mapa e o território (aulas 7 a 9). Laboratório e observação, a força do método e o limite de todo modelo. Posts: Qual a importância dos instrumentos na ciência?, Por que confiar na ciência? e O mapa não é o território
- Limites do conhecimento (aulas 10 a 12). A ilha que cresce, Popper e Kuhn. Posts: A ilha do conhecimento, O que é falseabilidade? e O que é um paradigma científico?
- Ciência e ética (aulas 13 a 15). Verdade provisória, o valor do erro e a responsabilidade pelo que se descobre. Posts: Evolução do modelo atômico, Por que errar faz parte da ciência? e Quem decide o uso da ciência?
Alguns posts reúnem trechos de aulas diferentes, e cada exemplo aparece em um só lugar, para não repetir.
Por onde começar
A série pode ser lida em ordem, mas não precisa. Três entradas funcionam bem conforme o interesse:
- Para quem quer a história: comece por Como surgiu a ciência? e siga até Kepler. É a parte mais narrativa, com pouca filosofia técnica.
- Para quem quer os conceitos: vá direto a O que é falseabilidade?, O que é um paradigma científico? e O mapa não é o território. São os três pilares da filosofia da ciência no curso.
- Para quem quer aplicar no dia a dia: leia Por que confiar na ciência? e Por que errar faz parte da ciência?. Tratam de como avaliar uma afirmação e de como mudar de ideia.
Pensar como cientista fora do laboratório
A promessa do curso vai além de explicar como a ciência funciona. Perguntar “baseado em quê?”, separar verificação de prova, lembrar que todo modelo tem limite e aceitar o erro como informação são hábitos que servem para ler uma notícia, avaliar um projeto no trabalho ou conversar com quem discorda.
Quem quiser recuar um passo antes da série pode começar por O que é Ciência? e O que é Filosofia da Ciência?, que situam as perguntas do curso no conjunto do blog.
Gleiser encerra o curso lembrando que ninguém é dono da verdade e que a ciência é, antes de tudo, uma conversa aberta sobre o mundo. A série é um convite a entrar nela com as ferramentas certas. Por isso cada post termina com uma pergunta ao leitor, e os comentários fazem parte da série.
Se fizer sentido para você, comente e compartilhe — e conte por qual porta você entrou na série e qual post mudou alguma certeza sua.