Formalizou a computação antes de o computador existir. Quebrou códigos nazistas que ajudaram a encurtar a Segunda Guerra. Propôs o teste que define o debate sobre máquinas pensantes. Depois, foi condenado por seu próprio país. A história de Alan Turing é genialidade e injustiça na mesma medida.
Ramos
Geoffrey Hinton: o padrinho da IA que agora tenta freá-la
Passou quarenta anos ensinando máquinas a aprender. Ganhou o Turing e o Nobel por isso. E em 2023, pediu demissão do Google para dizer ao mundo que talvez tenha criado algo perigoso demais. A trajetória de Geoffrey Hinton é, em si, um dilema moral sobre ciência e responsabilidade.
Demis Hassabis: o prodígio que quer resolver a inteligência
Mestre de xadrez aos treze anos. Designer de videogames aos dezessete. Doutor em neurociência cognitiva. Nobel de Química aos 48. A ambição que conecta tudo isso? Construir uma inteligência artificial capaz de resolver qualquer problema científico. Demis Hassabis não coleciona carreiras — ele as encaixa como peças de um único quebra-cabeça.
Leon Festinger: o psicólogo que se infiltrou num culto para provar uma teoria
Em 1954, um psicólogo e dois colegas se infiltraram num culto que acreditava no fim do mundo. Queriam observar o que acontece quando a realidade contradiz a crença. A resposta mudou a psicologia — e explica boa parte do que fazemos até hoje sem perceber.
Richard Dawkins: o gene, o meme e a polêmica
Inventou o conceito de “meme” quarenta anos antes de a palavra virar sinônimo de imagem engraçada na internet. Transformou a biologia evolutiva em best-seller. E conseguiu irritar, ao mesmo tempo, religiosos, ativistas e colegas cientistas. Richard Dawkins é, quase por definição, uma figura que não cabe num resumo simples.
Quando educar vira otimizar: dilemas da escola contemporânea
A escola ganhou métricas, plataformas, inteligência artificial e acesso remoto. Mas, perdeu o quê? Dilemas contemporâneos sugerem que a resposta está naquilo que a eficiência tem mais dificuldade de medir — e, por isso, mais facilidade de descartar.
O desabafo digital: por que tanta gente prefere falar com uma máquina?
Fila longa, custo alto, medo de julgamento — e, do outro lado, uma tela que responde na hora, não cobra e nunca levanta a sobrancelha. O recurso à máquina revela menos sobre a tecnologia do que sobre o preço de ser ouvido por gente de verdade.
O que conta como evidência?
“Eu vi com meus olhos.” “Saiu um estudo.” “Todo mundo sabe.” Tudo isso é apresentado como evidência — e, de certo modo, é. O problema é que nem toda evidência pesa igual. E confundir pista com prova é o erro mais democrático que existe: todo mundo comete.
A ciência sabe escutar? Koko Tavi e a disputa pelo nome do sofrimento
Doença, crise, possessão, nervos — cada palavra abre um caminho de cura e fecha outros. Quando o sofrimento tem mais de um nome, a pergunta que vale fazer muda: de “qual o diagnóstico?” para “quem escolheu o nome — e o que ficou de fora?”
A pirâmide de Maslow não é de Maslow
Todo mundo conhece a pirâmide das necessidades. Livros didáticos, treinamentos corporativos, palestras motivacionais — ela está em toda parte. Só que Maslow nunca a desenhou. A pirâmide não está no artigo original. E a teoria que está lá é mais interessante do que a imagem que a substituiu.