O experimento do quarto chinês, de John Searle, pergunta se manipular símbolos corretamente serve como atestado de compreensão. Com a IA generativa, a questão ficou mais difícil de contornar: quando um sistema responde com fluidez, estamos diante de entendimento ou de simulação?
Tecnologia
Tecnologia não é só o que funciona — é o que transforma, desloca e reorganiza. Aqui, olhamos para o que está por trás das máquinas que já tomaram decisões antes de você abrir os olhos de manhã.
O teste de Turing envelheceu? Quando conversar já não basta
O teste de Turing propõe um critério comportamental para a inteligência de máquinas: se um interrogador humano não consegue distinguir a máquina de uma pessoa em conversa, a hipótese de inteligência precisa ser levada a sério. A IA generativa tornou esse critério fácil de cumprir.
Artefatos têm política: IA como tecnologia de poder
Artefatos têm política: objetos técnicos carregam escolhas, interesses e formas de organizar a vida social. Quando a inteligência artificial recomenda, classifica, prioriza ou bloqueia, ela distribui poder — no ranking, no filtro, na pontuação e nos critérios que quase nunca vemos.
AGI: por que a inteligência artificial geral sempre recua?
AGI, ou inteligência artificial geral, costuma aparecer como o grande horizonte da IA: uma máquina capaz de aprender tarefas variadas, transferir habilidades e lidar com situações novas. O horizonte se move. Sempre que a máquina automatiza uma competência, a régua da inteligência muda de lugar.
O que são autômatos e por que eles antecipam o debate sobre IA?
Autômatos são máquinas construídas para imitar seres vivos. Séculos antes do computador, eles já produziam o efeito que hoje associamos à inteligência artificial: um objeto fabricado que age como se tivesse intenção própria.
Corpo em transição: quando a biologia vira projeto de engenharia
Há quem diga que o corpo é apenas uma etapa — útil, mas superável. Do chip subcutâneo ao upload da mente, a promessa é que biologia e tecnologia vão se fundir até tornar o envelhecimento opcional. A pergunta que essa promessa prefere não fazer é outra: opcional para quem?
Corpo e tempo: o relógio biológico contra o relógio social
O corpo funciona em ritmo solar. A tecnologia, em ritmo de notificação. Entre os dois, cresce um custo fisiológico que nenhum app de produtividade contabiliza.
O corpo Humano não é uma Máquina
A Revolução Industrial apontou que o corpo funciona como motor: queima combustível, gasta energia, precisa de manutenção. O Silicon Valley do século XXI atualizou o manual: agora o corpo é software — precisa de update, otimização e hack. A fisiologia discorda das duas versões.
A metáfora mecânica descreve o corpo assim:
- queima combustível;
- gasta energia;
- precisa de manutenção periódica.
Biohacking: com B de Business e Bilhões
O corpo virou plataforma. Cada jejum tem protocolo, cada suplemento tem dosagem, cada noite de sono tem score. E tem alguém lucrando com cada ponto dessa planilha.
NMN e Resveratrol: a Fonte da Juventude vendida em cápsulas
Toda geração teve sua fonte da juventude. A nossa tem embalagem de farmácia, citação de estudo e preços cada vez mais altos. A promessa é a mesma de sempre. O que mudou foi o vocabulário.