Isaac Newton: o gigante por trás das leis universais

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Isaac Newton foi o físico e matemático inglês que formulou as três leis do movimento e a gravitação universal, criou o cálculo e decifrou a composição da luz. Também foi alquimista, teólogo secreto e diretor da Casa da Moeda.

Woolsthorpe, Inglaterra, 1666. A peste fechou a Universidade de Cambridge, e um estudante de 23 anos voltou para a fazenda da mãe. Num quarto escuro, ele faz um furinho na janela, deixa entrar um raio de sol e põe um prisma de vidro no caminho. Na parede oposta, aparece uma faixa colorida, do vermelho ao violeta.

Ninguém ali precisava de mais nada para ver um arco-íris. Mas Isaac Newton queria saber de onde vinham as cores. E, para isso, fez de tudo, inclusive enfiar uma agulha de costura entre o próprio olho e o osso da órbita, para ver o que acontecia com a visão. Anotou o resultado com a maior calma.

É assim que Newton aparece em cada capítulo da vida dele: curioso a ponto de assustar e obstinado a ponto de brigar com meio mundo. Foi daí que saíram as leis que a física usou por mais de dois séculos.


Quem foi Isaac Newton: resumo rápido

  • Nasceu: em 25 de dezembro de 1642 (pelo calendário da época), em Woolsthorpe, Inglaterra.
  • Morreu: em 20 de março de 1727, em Londres, aos 84 anos.
  • Área: física, matemática, astronomia e óptica.
  • Onde trabalhou: Trinity College, em Cambridge, Casa da Moeda e Royal Society, que presidiu.
  • A ideia que deixou: a mesma força que derruba uma maçã mantém a Lua em órbita.
  • Por onde começar: os Principia (1687), ou uma boa biografia, porque o original é duríssimo.

A infância de Isaac Newton: órfão, criado pela avó

Newton nasceu prematuro, tão pequeno que, segundo a mãe, cabia numa caneca. O pai tinha morrido meses antes. Aos três anos, a mãe se casou de novo e foi morar com o novo marido, deixando o menino com a avó. A mágoa ficou: numa lista de pecados que escreveu na juventude, Newton confessou ter ameaçado queimar a casa com a mãe e o padrasto dentro.

Na escola, não chamava atenção. A mãe tentou fazê-lo cuidar da fazenda, mas ele preferia montar relógios de sol e moinhos em miniatura. Foi um tio, com a ajuda do diretor da escola, que convenceu a família a mandá-lo para Cambridge, em 1661. Lá, Newton leu por conta própria Descartes, Kepler e Galileu, muito além do currículo oficial.

As leis de Newton, a gravitação e a luz

Os anos da peste, 1665 e 1666, viraram o “ano milagroso” de Newton. Recolhido em Woolsthorpe, ele lançou as bases do que viria depois:

  • Cálculo: o “método das fluxões”, para descrever grandezas que mudam continuamente. Leibniz chegou a algo parecido de forma independente, e a briga pela prioridade foi uma das mais feias da história da ciência.
  • Gravitação universal: toda massa atrai toda massa, com uma força que cai com o quadrado da distância. A história da maçã tem um fundo real, contado em mitos sobre Isaac Newton.
  • Luz e cores: com prismas, mostrou que a luz branca é a mistura de todas as cores. E ainda construiu o primeiro telescópio refletor que funcionava.
  • Três leis do movimento: inércia, força igual a massa vezes aceleração, ação e reação. Publicadas em 1687 nos Principia, junto com a gravitação.

Repare no que isso significou. Pela primeira vez, as mesmas leis explicavam o céu e a Terra, das marés às órbitas dos cometas. Os Principia fecharam o trabalho iniciado por Galileu e Kepler.

O Newton que ninguém conta: alquimia, teologia e Casa da Moeda

Só que o arquiteto da física moderna tinha outras obsessões. Passou décadas em experimentos de alquimia, atrás dos princípios fundamentais da matéria, e escreveu mais sobre teologia e profecias bíblicas do que sobre física. Negava a Trindade, o que na Inglaterra da época poderia custar o cargo, e guardou isso em segredo.

Tinha também um temperamento difícil. Brigou com Robert Hooke, com Leibniz e com o astrônomo real John Flamsteed, e sabia usar a própria influência para vencer as disputas. Em 1696, trocou Cambridge pela Casa da Moeda, em Londres, onde perseguiu falsificadores com um rigor que mandou alguns à forca.


Isaac Newton hoje: o legado das leis universais

Newton presidiu a Royal Society a partir de 1703, foi feito cavaleiro em 1705 e, quando morreu, foi enterrado com honras na Abadia de Westminster. As leis dele sustentaram a física até o século XX, quando a relatividade e a mecânica quântica mostraram os limites delas, numa das trocas de paradigma que Thomas Kuhn estudou. E, mesmo assim, são elas que continuam guiando sondas espaciais e pontes.

Os manuscritos de Newton, inclusive os de alquimia e teologia, estão sendo digitalizados pelo Newton Project, e a Britannica tem uma boa biografia. No fim, o menino que queria saber de onde vinham as cores do arco-íris acabou explicando por que a Lua não cai.


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