Albert Einstein: quem foi e o que o eclipse de Sobral confirmou

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Em 1919, astrônomos fotografaram um eclipse em Sobral, no Ceará, e confirmaram que a gravidade curva a luz. Einstein virou celebridade mundial. Quem foi o físico, o que é a relatividade e por que o Nobel veio por outro motivo.


Sobral, Ceará, 29 de maio de 1919. Por pouco mais de cinco minutos, a Lua cobre o Sol, e dois astrônomos britânicos fotografam as estrelas que aparecem ao redor do disco escuro.

Se a teoria de um físico alemão estivesse certa, a luz dessas estrelas chegaria levemente desviada, curvada pela gravidade do Sol.

Em novembro, as medidas feitas em Sobral e na ilha de Príncipe, na África, são anunciadas em Londres. O desvio está lá, e Albert Einstein vira o cientista mais famoso do mundo.

Seis anos depois, ele passa pelo Rio de Janeiro e deixa uma nota a Assis Chateaubriand, registrada pela Revista Pesquisa FAPESP: “A pergunta que minha mente formulou foi respondida pelo ensolarado céu do Brasil”.

Quem foi Albert Einstein: resumo rápido

  • Nasceu: em 14 de março de 1879, em Ulm, na Alemanha.
  • Morreu: em 18 de abril de 1955, em Princeton, nos EUA.
  • Formação: Politécnica de Zurique e doutorado pela Universidade de Zurique (1905).
  • Onde trabalhou: escritório de patentes de Berna, Berlim e Princeton.
  • A ideia que deixou: a gravidade curva o espaço-tempo.
  • Por onde começar: A Teoria da Relatividade Especial e Geral (1916).

O que Einstein fez em 1905?

Aos 26 anos, sem cargo em universidade, Einstein trabalhava como técnico de terceira classe no escritório de patentes de Berna. Nas horas vagas, publicou quatro artigos que mudaram a física:

  • efeito fotoelétrico – a luz também viaja em pacotes de energia;
  • movimento browniano – a prova de que os átomos existem;
  • relatividade restrita – tempo e espaço dependem de quem mede;
  • E = mc² – massa e energia são a mesma coisa.

O primeiro abriu caminho para a física quântica. Não por acaso, 1905 ficou conhecido como o ano milagroso.

Boa parte dessas ideias nasceu da imaginação. Desde os 16 anos, Einstein se perguntava como seria correr ao lado de um raio de luz. É o tipo de experimento mental que virou a marca dele.

O que é a teoria da relatividade?

São duas teorias, separadas por dez anos.

A restrita, de 1905, mostra que tempo e espaço dependem de quem mede. Um relógio em movimento anda mais devagar do que um parado, e a velocidade da luz no vácuo é o limite que nada ultrapassa.

A geral, de 1915, trata da gravidade. Para Einstein, a massa curva o espaço-tempo, e os corpos seguem essa curvatura. Imagine uma bola pesada no meio de um colchão: uma bolinha jogada ali perto rola na direção dela.

Ela corrigiu Isaac Newton onde a gravidade é muito forte e explicou um desvio na órbita de Mercúrio que intrigava os astrônomos havia décadas.

Você usa a relatividade todos os dias. Os relógios dos satélites de GPS são corrigidos por ela. Sem essa correção, o mapa do celular acumularia erros de vários quilômetros por dia.

Einstein ganhou o Nobel pela relatividade?

Não. O Nobel de Física de 1921 saiu, nas palavras da Fundação Nobel, “pelos serviços à física teórica e especialmente pela descoberta da lei do efeito fotoelétrico”.

A relatividade ainda dividia a comissão, e o eclipse de 1919 não bastou para convencer todos. O prêmio só foi entregue em 1922.

Einstein acreditava em Deus?

Einstein recusava o Deus pessoal das religiões, que premia e castiga. Dizia acreditar no Deus de Spinoza, presente na harmonia das leis da natureza.

A famosa frase de que Deus não joga dados vem de uma carta ao físico Max Born, em 1926. Era uma crítica à física quântica, que Einstein ajudou a criar e nunca aceitou por completo.

Qual foi o papel de Einstein na bomba atômica?

Indireto. Em 2 de agosto de 1939, Einstein assinou uma carta ao presidente Franklin Roosevelt, redigida com o físico Leo Szilárd, alertando que a Alemanha nazista poderia construir uma bomba de urânio.

A carta ajudou a pôr em marcha o programa americano que levaria ao Projeto Manhattan. Einstein ficou de fora: o governo negou a ele a autorização de segurança.

Em 1954, disse ao químico Linus Pauling que assinar a carta tinha sido o grande erro da vida dele. A única justificativa, disse, era o risco de os alemães chegarem primeiro.

Críticas a Albert Einstein

A física de Einstein resistiu a um século de testes. A biografia tem pontos menos brilhantes:

  • a constante cosmológica – um ajuste que ele mesmo abandonou;
  • o casamento com Mileva Marić – marido duro com a colega de física;
  • os diários de viagem – comentários racistas sobre os chineses;
  • a física quântica – recusou o rumo que a área tomou.

A constante é o caso mais curioso. Em 1917, ele acrescentou um termo às equações para manter o universo parado e o abandonou quando Hubble mostrou a expansão.

Hoje, uma versão dela volta para explicar a energia escura, um caso clássico de erro na ciência que rendeu fruto.

Sobre Mileva, a hipótese de que ela seria coautora das ideias de 1905 circula há décadas, sem documento que a comprove. Os diários de viagem, escritos na Ásia em 1922 e 1923, só vieram a público em 2018.

Cem anos depois de Sobral, a relatividade segue passando nos testes. As ondas gravitacionais que ele previu em 1916 foram detectadas em 2015, e a primeira foto de um buraco negro, em 2019, mostrou a sombra que as equações dele desenham. Foi dessa herança que Stephen Hawking partiu em Uma Breve História do Tempo.


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