Uma Breve História do Tempo: dá para entender Hawking?

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É um dos livros de ciência mais comprados e menos terminados do mundo. Stephen Hawking tentou explicar Big Bang, buracos negros e a direção do tempo com uma única equação no texto inteiro.


Autor: Stephen Hawking – Publicação: 1988

Muita gente trava na primeira tentativa, quase sempre no capítulo dos buracos negros. Quem volta depois, com calma, entende por que esse livro mudou a divulgação científica. Uma Breve História do Tempo vendeu mais de 25 milhões de exemplares em cerca de 40 línguas, um número absurdo para um livro de cosmologia.

E tem uma história de bastidor ótima. Um editor avisou Hawking de que cada equação no texto cortaria pela metade o número de leitores. Ele tirou todas, menos uma: E = mc², a de Einstein. O resto da física teria de caber em palavras e imagens.

Do que trata Uma Breve História do Tempo?

O livro é uma visita guiada às maiores perguntas da física, na ordem em que a humanidade foi chegando a elas:

  • como entendemos o universo, de Aristóteles a Isaac Newton;
  • o que muda com a relatividade de Einstein, em que espaço e tempo viram uma coisa só;
  • o estranho mundo da física quântica, onde nada tem posição e velocidade exatas ao mesmo tempo;
  • buracos negros e a radiação que leva o nome de Hawking;
  • a origem e o destino do universo;
  • a busca por uma teoria que una tudo isso.

O livro termina com a frase mais citada de Hawking: se um dia encontrarmos essa teoria final, conheceremos “a mente de Deus”. Ele era ateu, e a frase é uma metáfora, mas rendeu discussão por décadas.

O que Hawking explica sobre buracos negros?

É a parte mais pessoal, porque foi ali que Hawking fez sua descoberta mais famosa. Até os anos 1970, um buraco negro era visto como uma armadilha perfeita: nada entra e sai, nem a luz.

Hawking mostrou que, combinando relatividade e física quântica, a coisa muda. Buracos negros emitem uma radiação fraquinha e, com tempo suficiente, podem evaporar. É a radiação Hawking, prevista em 1974 e até hoje não observada diretamente.

Repare como essa história mostra uma ideia que o post sobre o mapa e o território discute bem. A relatividade explica buracos negros, mas ainda não se combina com a física quântica. Hawking passou a vida tentando costurar as duas, e o livro é o relatório dessa costura.

O tempo pode andar para trás?

É o capítulo que dá nome ao livro, e um dos mais bonitos. Hawking descreve três “setas do tempo”:

  1. a termodinâmica: a desordem sempre aumenta, e é por isso que um copo quebrado não se remonta sozinho;
  2. a psicológica: a gente lembra do passado e não do futuro;
  3. a cosmológica: o universo está se expandindo, e não encolhendo.

As três apontam na mesma direção, e Hawking pergunta por quê. Ele chegou a pensar que, se um dia o universo voltasse a encolher, o tempo andaria ao contrário. Depois mudou de ideia e admitiu o erro no próprio livro, o que diz muito sobre como a ciência funciona.

Viagem no tempo também aparece. A relatividade, no papel, permite trajetórias que voltam ao passado, e quem viu Dark sabe o estrago que isso faz numa história. Os paradoxos mais famosos estão no post sobre viagem no tempo em filmes e séries.

Por que tanta gente não termina o livro?

Porque, mesmo sem equações, ele é difícil. O matemático Jordan Ellenberg chegou a criar o “índice Hawking”, uma brincadeira que mede até onde os leitores de Kindle vão num livro antes de desistir. Uma Breve História do Tempo apareceu entre os mais abandonados da lista.

Os trechos que mais travam:

  • o capítulo da física quântica, com partículas que são ondas e ondas que são partículas;
  • a parte sobre o tempo imaginário, um recurso matemático que Hawking tenta explicar sem matemática;
  • as discussões sobre unificação, que ficam mais abstratas no fim.

O jeito é ler com calma, aceitar não entender tudo na primeira e voltar aos capítulos difíceis depois. Existe também uma versão ilustrada, de 1996, e uma versão reduzida, Uma Nova História do Tempo, escrita com Leonard Mlodinow, que é mais fácil.

Vale ler Uma Breve História do Tempo hoje?

É leitura obrigatória para quem gosta de astronomia, mesmo com as partes que envelheceram.

  • É um marco. Muito livro de divulgação que veio depois existe porque este vendeu tanto.
  • Envelheceu em alguns pontos. Ondas gravitacionais, a expansão acelerada do universo e a primeira imagem de um buraco negro vieram depois. Os conceitos de base continuam firmes.
  • Mostra o cientista errando. Hawking corrige a si mesmo no meio do caminho, e isso ensina tanto quanto as respostas.
  • Combina com o resto da seção. Quem leu Cosmos vai achar aqui a mesma viagem, só que mais funda e menos poética.

A Britannica resume a vida de Hawking, inclusive a doença que o paralisou aos poucos sem interromper o trabalho, e a página do livro na Wikipédia conta a história de cada edição.

Se quiser seguir, A Ciência Tem Todas as Respostas? retoma várias dessas perguntas com uma física atual. A Máquina do Tempo leva a viagem no tempo para a ficção. E A Última Pergunta, de Asimov, imagina o fim do universo pela seta da termodinâmica. E a pergunta sobre o que havia antes do começo, que Hawking menciona logo no primeiro capítulo, tem uma resposta famosa nas Confissões, de Santo Agostinho.


Se fizer sentido para você, comente e compartilhe – e conte em que capítulo você travou, se travou.


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