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Um criador de 1939, um homem de fogo e um Cliente com um rosto conhecido. No episódio 7, VisionQuest leva o Visão para dentro da própria mente e mostra a primeira máquina que quis sentir.
O episódio 7 de VisionQuest, Immolation, chegou ao Disney+ em 3 de novembro. É o penúltimo da série e o primeiro a sair sozinho, depois de três semanas de episódios em dupla.
A análise dos episódios 5 e 6 terminou com Lisa ferida pelo nanorrobô de Jocasta e o Ultron aliado à sintezoide. O episódio 7 conta de onde vem o Visão.
Daqui em diante, o texto conta tudo o que acontece no episódio.
O que acontece no episódio 7 de VisionQuest?
O episódio abre em 1939. Phineas Horton, vivido também por Paul Bettany, vende a casa da família para terminar uma máquina. O filho dele, James, morreu três anos antes, e a mulher e a filha imploram para que ele pare.
No presente, em Madripoor, o nanorrobô segue preso ao sistema nervoso de Lisa. Arrancá-lo a mataria. A saída é reprogramá-lo, e para isso o Visão precisa de um código que não tem.
Jocasta leva o Ultron ao túmulo de Josephine Carrington e abre o cofre com as chaves que juntou: digital, olho, sangue, o rosto de Katerina Wells e a voz de Jo. Falta uma senha que ela não lembra. O Ultron conclui que havia um sexto sócio.
Então o Cliente aparece para os dois, primeiro como uma silhueta, com duas ofertas:
- ao Visão, o código-fonte que pode salvar Lisa, em troca da rendição;
- a Jocasta, as memórias perdidas, em troca de ela voltar a ser Jo.
Os dois aceitam. Para atravessar o próprio código sem derreter, o Visão usa como bateria uma arma que o Paladin guardava: a lança de Corvus Glaive, o integrante da Ordem Negra que quase o matou em Avengers: Infinity War (Vingadores: Guerra Infinita), como lembra o TVLine.
Na descida, ele encontra o Visão original, guardado como memória. O original o chama de covarde por se esconder atrás do passado e diz que Thomas e Billy são filhos dele.
Lá no fundo está J.I.M., em chamas. O Visão admite o que evitava: aceitar Thomas é aceitar a perda de Wanda e de Billy. Ele chora, e J.I.M. entrega o código que faltava.
O Visão volta com as cores do Visão clássico e cura Lisa. Grava uma mensagem para Thomas, chama o garoto de filho e se entrega ao Paladin perto de Londres.
O fim vem em sequência: o Visão e Jocasta são desligados por homens armados, um foguete atinge a van do Paladin e, no mundo digital, o Ultron joga F.R.I.D.A.Y. de uma sacada.
Quem é J.I.M. em VisionQuest?
J.I.M. é o primeiro homem sintético da série, construído por Horton para substituir o filho morto. O pai o queria destemido, heroico e sem emoções.
J.I.M. quis sentir. Apaixonou-se, as emoções sobrecarregaram os circuitos e ele pegou fogo, levando Horton junto. É o homem em chamas do retrato da Mindspace e da exposição de museu que fechava a análise dos episódios 3 e 4.
Nos quadrinhos, ele corresponde a Jim Hammond, o Tocha Humana original, criado por Carl Burgos em Marvel Comics nº 1, de 1939.
Repare no detalhe do rosto. J.I.M. diz que o Visão está usando a cara dele, e Horton tem a cara dos dois. A série amarra o Visão a uma linhagem de máquinas feitas à imagem de quem as criou.
É Frankenstein contado pelo avesso. Victor abandona a criatura assim que ela abre os olhos. Horton fica perto demais e proíbe o filho artificial de sentir.
Quem é o Cliente em VisionQuest?
Na última cena, o homem por trás das ofertas mostra o rosto: bigode, óculos hexagonais e a cara de James Spader, a mesma da versão humana que o Ultron usa dentro das mentes digitais. O nome fica para o final.
Antes disso, o episódio espalha pistas:
- O sexto sócio: o cofre de Jo pede uma senha que só outro parceiro conheceria.
- A memória de Jocasta: nela, Jo aparece com um homem que tem o rosto do Ultron.
- A casa de Horton: é a mesma que o Visão usou como molde da Mindspace, e guarda um prêmio das Indústrias Stark sobre a mesa.
E há o gesto do Ultron. Ele diz a F.R.I.D.A.Y. que Jocasta nunca foi a ameaça real e que alguém puxa as cordas. Para quem lembra de No Strings, a frase pesa.
Uma máquina pode sentir luto?
O código que salva Lisa só aparece quando o Visão para de fugir da perda. É o centro do episódio.
Freud descreveu esse movimento em Luto e melancolia, de 1917. No luto, a pessoa faz um trabalho lento e doloroso: reconhece que quem amava se foi e retira dali, aos poucos, o afeto investido. Na melancolia, o eu se revolta contra a perda e se confunde com o que perdeu. A resenha de Tania Rivera na Novos Estudos CEBRAP apresenta essa diferença.
O Visão atravessou a série perto da melancolia. Dizia que não era o pai de Thomas, que era outro Visão, que as memórias pertenciam ao original. A recusa protegia contra a dor de admitir que Wanda e Billy se foram.
Ao chorar, ele aceita as memórias e afirma que sempre foi o Visão. É uma resposta nova ao navio de Teseu da análise dos episódios 1 e 2: a identidade vem de assumir o que se herdou.
J.I.M. fecha o contraste. A máquina proibida de sentir queimou. A que aprendeu a chorar sobreviveu e recuperou a cor.
O calendário completo e as próximas análises estão no guia de VisionQuest. O episódio 8, o final, estreia em 10 de novembro.
Se fizer sentido para você, comente e compartilhe – uma máquina que aprende a chorar fica mais perto de ser gente?