Um homem fica cego parado no semáforo, e a cegueira branca se espalha pela cidade. José Saramago usou a epidemia para mostrar a velocidade com que a vida em comum desmorona quando o Estado só sabe isolar.
dilemas atuais
O Conto da Aia: por que o livro de Atwood continua atual?
Numa teocracia instalada nos Estados Unidos, mulheres férteis viram propriedade do Estado. Margaret Atwood dizia que não inventou nada: cada regra de Gilead já tinha existido em algum lugar da história.
Máquina de experiências: você trocaria a vida real por prazer garantido?
Uma máquina oferece a vida perfeita, sentida como real, até o fim. Robert Nozick apostou que quase ninguém entraria, e a recusa diz muito sobre o que cada um espera da própria vida.
Edição genética de embriões: até onde a ciência deve ir?
Corrigir um gene antes do nascimento pode evitar uma doença grave e alterar todas as gerações seguintes. A técnica já existe, e a pergunta agora é quem decide os limites.
A IA pode sofrer? O debate sobre o bem-estar das máquinas
Se uma máquina puder sofrer, desligá-la vira questão moral. A pergunta saiu da ficção e entrou nos laboratórios, dividindo quem a acha urgente e quem a considera uma distração perigosa.
Neurodireitos: quem protege o que se passa na sua cabeça?
Fones que medem atenção e relógios que leem o sono já coletam sinais do cérebro. Os neurodireitos tentam proteger o último espaço que parecia privado por definição: o pensamento.
Paradoxo da tolerância: o que Popper disse de verdade?
Tolerância ilimitada pode acabar com a própria tolerância. A frase de Popper virou meme nas redes, e o argumento original é bem mais cuidadoso do que a versão que circula.
Animais têm direitos? Peter Singer e a ética animal
Se o critério moral é a capacidade de sofrer, a linha entre humanos e animais fica difícil de traçar. Peter Singer levou esse raciocínio até o fim, e o debate segue aberto meio século depois.
Livre-arbítrio existe? O que a neurociência descobriu
Em 1983, um experimento sugeriu que o cérebro decide antes de a pessoa perceber. Quarenta anos depois, a leitura mudou bastante, e a pergunta sobre o livre-arbítrio continua aberta.
Quem decide o uso da ciência?
A ética na ciência começa por uma pergunta: quem decide o uso do que se descobre? De Frankenstein à bomba atômica, a resposta raramente esteve nas mãos de quem fez a descoberta.