Fila longa, custo alto, medo de julgamento — e, do outro lado, uma tela que responde na hora, não cobra e nunca levanta a sobrancelha. O recurso à máquina revela menos sobre a tecnologia do que sobre o preço de ser ouvido por gente de verdade.
dilemas atuais
Enem e Ensino Médio: formação ou treinamento para a prova?
O Enem avalia, seleciona e abre portas. Mas, quando uma prova passa a organizar o Ensino Médio, surge uma pergunta importante: estamos formando estudantes ou treinando candidatos para performar bem em um grande teste nacional?
Inteligência biológica em xeque: o que resta quando a máquina aprende melhor?
Durante milênios, a inteligência foi a nossa vantagem exclusiva. Agora, uma de suas versões aprende mais rápido, compartilha instantaneamente e não morre. Quando o que nos definiu deixa de ser só nosso, o que resta?
Imperativo Categórico: o que ainda pode valer para todos?
Kant desloca a pergunta moral: em vez de perguntar o que funciona, pergunta o que pode valer para qualquer pessoa. Num tempo cheio de atalhos e exceções, essa régua continua desconfortável — e necessária.
Platão, Nietzsche e a verdade em disputa
Vivemos entre duas tentações — a de crer numa verdade firme acima de nós e a de tratar tudo como interpretação. Platão puxa para o fundamento; Nietzsche, para a criação. O que acontece quando os dois se encaram?
Cinco perguntas urgentes sobre o nosso tempo
Toda época tem seus pontos cegos — os nossos se disfarçam de conveniência. Cinco dilemas contemporâneos parecem independentes até a gente perceber que todos convergem para o mesmo lugar: a vida no piloto automático.
Atenção em leilão: O que perdemos quando vivemos no modo notificação?
Cada notificação é um lance, cada vibração é um convite. A atenção virou o recurso mais disputado da economia digital — e quem não percebe isso paga com fragmentação o que imagina ganhar em produtividade.
Companhia artificial: estamos postergando a solidão?
Elas ouvem sem interromper, respondem sem demora e nunca contradizem. Mas quando a presença é desenhada para não incomodar, o que acontece com tudo aquilo que só o atrito ensina?
A verdade em crise: o que resta quando todos acreditam no que querem?
Os fatos não desapareceram — só perderam o direito de incomodar. Quando cada grupo administra sua versão da realidade, a mentira não precisa convencer: basta pertencer.
A era da opinião: por que ninguém muda de ideia nas redes sociais?
Nunca opinamos tanto — e talvez nunca tenhamos escutado tão pouco. As redes ampliaram a fala e aceleraram a reação, mas fizeram da dúvida um luxo que o feed não comporta.