Kant desloca a pergunta moral: em vez de perguntar o que funciona, pergunta o que pode valer para qualquer pessoa. Num tempo cheio de atalhos e exceções, essa régua continua exigente, e necessária.
dilemas atuais
Platão, Nietzsche e a verdade em disputa
Vivemos entre duas tentações – a de crer numa verdade firme acima de nós e a de tratar tudo como interpretação. Platão puxa para o fundamento; Nietzsche, para a criação. O que acontece quando os dois se encaram?
Cinco perguntas urgentes sobre o nosso tempo
Toda época tem seus pontos cegos – os nossos se disfarçam de conveniência. Cinco dilemas contemporâneos parecem independentes até a gente perceber que todos convergem para o mesmo lugar: a vida no piloto automático.
Atenção em leilão: o que perdemos quando vivemos no modo notificação?
Cada notificação é um lance, cada vibração é um convite. A atenção virou o recurso mais disputado da economia digital – e quem não percebe isso paga com fragmentação o que imagina ganhar em produtividade.
Companhia artificial: estamos postergando a solidão?
Elas ouvem sem interromper, respondem sem demora e nunca contradizem. Mas quando a presença é desenhada para não incomodar, o que acontece com tudo aquilo que só o atrito ensina?
A verdade em crise: o que resta quando todos acreditam no que querem?
Os fatos continuam aí, só perderam o direito de incomodar. Quando cada grupo administra sua versão da realidade, a mentira não precisa convencer: basta pertencer.
A era da opinião: por que ninguém muda de ideia nas redes sociais?
Nunca opinamos tanto – e talvez nunca tenhamos escutado tão pouco. As redes ampliaram a fala e aceleraram a reação, mas fizeram da dúvida um luxo que o feed não comporta.
Liberdade em tempos de algoritmo: quem escolhe o que escolhemos?
Infinitas opções – e a sensação crescente de não ter opção alguma. Os algoritmos antecipam, filtram, empacotam, sem proibir nada. Ser livre, hoje, talvez signifique desconfiar do que parece feito sob medida.
O esforço de pensar – e o preço de não pensar
Pensar dá trabalho. A mente prefere economizar, o digital acelera o atalho, e o resultado é uma cultura em que reagir substituiu refletir. Quando não pensar vira hábito, o preço é maior do que parece.