O efeito geração ocorre quando lembramos melhor de uma informação que precisamos produzir do que da mesma informação recebida pronta. Completar uma resposta, chegar a uma solução ou tentar produzir um conceito antes de vê-lo pode tornar o estudo mais ativo — desde que exista conhecimento suficiente para realizar a tarefa.
O que é efeito geração?
Imagine duas situações.
Na primeira, você lê:
Capital da Argentina: Buenos Aires.
Na segunda:
Capital da Argentina: B________ A________.
A informação final é a mesma. Na segunda situação, porém, você precisa produzi-la.
Essa diferença está no centro do efeito geração.
Em um estudo clássico publicado em 1978, Norman Slamecka e Peter Graf compararam palavras que os participantes apenas liam com palavras que precisavam gerar a partir de diferentes pistas.
As informações geradas foram lembradas melhor em diferentes condições de teste.
Desde então, o fenômeno foi investigado em muitas tarefas e tornou-se um resultado bastante conhecido da pesquisa sobre memória.
O efeito aparece apenas em um experimento?
Não.
Uma meta-análise publicada em 2007 reuniu 445 resultados provenientes de 86 estudos.
No conjunto, gerar a informação produziu vantagem sobre simplesmente lê-la, com um efeito médio de aproximadamente 0,40 desvio-padrão.
Isso é relevante porque mostra que o fenômeno não depende de um único experimento famoso.
Mas também há uma cautela importante: o benefício varia conforme a maneira como a geração é feita.
Produzir uma resposta plausível a partir de uma pista útil é diferente de tentar adivinhar algo sobre o qual ainda não temos conhecimento algum.
Produzir não significa simplesmente escrever
Este ponto evita uma interpretação comum.
Copiar um parágrafo à mão produz texto. Digitar uma definição também.
Nenhuma dessas atividades caracteriza necessariamente o efeito geração.
O elemento importante é que alguma informação precisa ser construída pelo estudante em vez de simplesmente recebida pronta.
Por exemplo:
Complete:
A inflação representa um aumento __________ e __________ do nível geral de preços.
Ou:
Antes de olhar a solução:
Qual fórmula você utilizaria neste problema?
Ou ainda:
Antes de ler o próximo parágrafo:
Que consequência você espera que esse processo produza?
Em cada caso, existe algo a ser gerado.
É melhor tentar antes de ver a resposta?
Quando o estudante já possui conhecimento suficiente, isso pode ser útil.
Imagine um exercício resolvido.
Uma possibilidade é acompanhar imediatamente todos os passos da solução. Outra é cobrir o próximo passo e tentar produzi-lo antes de continuar.
Mesmo que a tentativa leve poucos segundos, o estudante deixa de receber toda a sequência pronta.
Isso não exige transformar o estudo numa sucessão de desafios.
Às vezes basta retirar uma pequena parte da informação e tentar completá-la.
E se eu errar?
Errar durante uma tentativa de geração não significa automaticamente que o estudo foi prejudicado.
O ponto importante é conferir e corrigir.
Se você tenta completar uma definição e produz uma resposta incorreta, consulte a fonte logo depois. A resposta correta precisa entrar na sequência.
O problema maior aparece quando a pessoa gera uma explicação errada e continua estudando como se estivesse correta.
Portanto:
tente → confira → corrija.
Esse ciclo é mais seguro do que simplesmente valorizar qualquer resposta porque foi “produzida pelo aluno”.
Efeito geração e prática de recuperação são iguais?
São próximos, mas não idênticos.
Na prática de recuperação, tentamos recuperar da memória algo que já foi estudado anteriormente.
No efeito geração, a informação pode ser produzida a partir de uma pista mesmo durante o primeiro contato com o material.
Imagine:
Brasil — Brasília.
Depois de estudar essa relação, tentar lembrar “Brasília” seria recuperação.
Receber durante a aprendizagem:
Brasil — B_______
e completar a resposta é uma situação típica de geração.
Na rotina de estudo, as duas estratégias frequentemente acabam se encontrando.
Como usar o efeito geração sem complicar o estudo?
Algumas adaptações são simples.
Antes de revelar uma definição
Leia o conceito e tente antecipar uma parte.
“Uma tarifa de importação é…”
Complete mentalmente antes de continuar.
Antes de olhar um exemplo
Tente criar um.
Se está estudando custo de oportunidade, pense numa situação cotidiana que represente o conceito.
Durante exercícios resolvidos
Cubra o próximo passo.
Tente decidir o que faria antes de consultar a solução.
Com perguntas incompletas
Transforme informações em pequenas lacunas.
A memória de trabalho possui capacidade ________.
Poucas palavras já podem exigir geração.
Mais dificuldade sempre aumenta o efeito?
Não.
Uma meta-análise mais recente sobre o efeito geração mostrou que características da própria tarefa de geração influenciam o resultado.
Isso combina com o cuidado que discutimos em dificuldade desejável na aprendizagem.
Retirar uma palavra de uma definição que o estudante consegue completar pode exigir esforço produtivo.
Pedir que alguém descubra sozinho um conceito inteiramente novo pode apenas gerar confusão.
A geração funciona melhor quando existe uma pista e conhecimento suficiente para produzir uma resposta possível.
Quando receber a informação pronta continua fazendo sentido?
Muitas vezes.
Quem está começando precisa de explicações, exemplos, demonstrações e respostas corretas.
Não há vantagem em esconder toda informação sob o argumento de que “descobrir sozinho é melhor”.
O efeito geração oferece uma ferramenta pequena: sempre que fizer sentido, deixar alguma parte para o estudante produzir.
Depois de uma explicação, uma lacuna. Antes de uma solução, uma tentativa. Antes de um exemplo pronto, um exemplo próprio.
O estudo continua tendo conteúdo apresentado por livros, professores e vídeos. A diferença está em criar momentos nos quais a resposta deixa de chegar completamente pronta.
Se conhece alguém que estuda sempre com a resposta diante dos olhos, compartilhe este texto. Às vezes, esconder uma linha por alguns segundos já muda a tarefa.
