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A intercalação alterna problemas de tipos diferentes na mesma sessão, em vez de praticar um tipo por vez. Ajuda quando é preciso reconhecer qual procedimento cada problema pede – por isso funciona com conteúdos parecidos, não com misturas aleatórias.
Trilha | Estudar com estratégia
1. Prática de recuperação
2. Repetição espaçada
3. Intercalação ← você está aqui
O que é intercalação?
Imagine uma lista de exercícios com três tipos de problema.
Na prática em blocos, você resolve vários problemas do tipo A, depois vários do tipo B e, finalmente, vários do tipo C: AAAA; BBBB; CCCC
Na prática intercalada, esses tipos aparecem misturados: A; B; C; A; C; B
A diferença vai além da ordem. Quando todos os exercícios de um bloco exigem o mesmo procedimento, parte da decisão já foi tomada.
Se você acabou de resolver cinco equações do mesmo tipo, há uma boa chance de que a sexta exija a mesma estratégia.
Porém, quando os problemas são misturados, é necessário olhar para cada um e perguntar: Que tipo de problema é este e o que devo fazer para resolvê-lo?
Essa escolha pode fazer parte daquilo que realmente precisamos aprender.
O que aconteceu quando pesquisadores misturaram problemas de matemática?
Doug Rohrer e Kelli Taylor investigaram essa diferença com estudantes universitários aprendendo a calcular volumes de sólidos geométricos.
Um grupo praticou os problemas em blocos, enquanto outro recebeu os diferentes tipos de problema intercalados.
Durante a prática, trabalhar em blocos parecia funcionar melhor. Os estudantes acertavam mais enquanto treinavam.
No teste realizado posteriormente, porém, ocorreu o contrário: aqueles que haviam praticado com os problemas misturados tiveram desempenho superior.
Pinturas diferentes contam uma história parecida
A intercalação também foi estudada em um contexto bem diferente.
Nate Kornell e Robert Bjork apresentaram aos participantes pinturas de diferentes artistas. Em uma condição, várias obras do mesmo artista apareciam juntas. Em outra, as obras dos artistas eram intercaladas.
Depois, os participantes precisavam identificar o autor de pinturas que ainda não tinham visto.
Nesse experimento, a apresentação intercalada favoreceu a aprendizagem dos estilos.
Há um detalhe interessante ainda: muitos participantes achavam que estudar as obras agrupadas tinha sido melhor, mesmo quando seu desempenho indicava vantagem para a condição intercalada.
Ver seis pinturas semelhantes em sequência torna mais fácil perceber o que elas têm em comum.
Alternar artistas, porém, coloca diferenças lado a lado.
Por que misturar pode ajudar?
Uma das explicações mais importantes está justamente na discriminação.
Para aprender alguns conteúdos, não basta saber executar cada procedimento isoladamente. Também precisamos distinguir situações parecidas.
Um estudante pode saber resolver uma regra de três e saber calcular uma porcentagem. Diante de um problema novo, porém, precisa reconhecer qual dessas ferramentas é adequada.
O mesmo vale para:
- tempos verbais próximos;
- espécies ou categorias semelhantes;
- conceitos que costumam ser confundidos;
- diferentes tipos de problema matemático;
- teorias que explicam fenômenos parecidos.
A intercalação coloca esses casos próximos o suficiente para que suas diferenças também precisem ser aprendidas.
Então devemos misturar tudo?
Não.
Intercalação não significa alternar assuntos aleatórios.
Estudar dez minutos de matemática, passar para literatura, abrir um exercício de inglês e depois voltar para química pode simplesmente fragmentar a atenção.
Isso não corresponde necessariamente ao tipo de intercalação estudado nas pesquisas.
Uma meta-análise sobre aprendizagem intercalada encontrou benefícios que dependiam bastante do material e das condições de aprendizagem.
Os resultados foram particularmente favoráveis em tarefas de aprendizagem de categorias, enquanto alguns tipos de materiais, como textos expositivos e palavras, não apresentaram a mesma vantagem.
Portanto, a regra “intercalar é sempre melhor” seria uma extrapolação.
A estratégia faz mais sentido quando os conteúdos possuem semelhanças suficientes para que distingui-los seja parte da aprendizagem.
Como usar intercalação nos estudos?
Primeiro, aprenda o básico de cada conteúdo.
Não há muita vantagem em misturar quatro tipos de problema que você ainda não sabe resolver separadamente.
Depois que existe alguma compreensão inicial, comece a variar os exemplos.
Se está estudando três tipos de equação, em vez de fazer vinte exercícios de cada tipo em blocos completamente separados, experimente incluir problemas diferentes na mesma lista.
Antes de resolver cada um, identifique:
- Que tipo de problema é este?
- Que características me permitem reconhecê-lo?
- Qual estratégia devo escolher?
Depois, resolva e confira.
A intercalação treina tanto a execução quanto a decisão.
Estudar com estratégia
A intercalação fecha esta trilha acrescentando uma terceira decisão ao estudo.
Na prática de recuperação, tentamos acessar aquilo que aprendemos sem consultar imediatamente a resposta. Na repetição espaçada, distribuímos esses reencontros ao longo do tempo.
Na intercalação, variamos conteúdos relacionados para que também seja necessário distingui-los e escolher como agir.
As três estratégias podem aparecer juntas, sem precisar virar um sistema complicado. Juntas, elas formam boa parte do que a ciência recomenda para estudar melhor.
Final da trilha
Este é o terceiro texto da trilha Estudar com estratégia.
Se quiser entender por que algumas estratégias que parecem mais difíceis durante o estudo podem produzir benefícios posteriores, leia também: Dificuldade desejável na aprendizagem: por que estudar com esforço pode ajudar.