Exemplos concretos na aprendizagem: por que exemplos ajudam a entender melhor?

Um exemplo concreto transforma uma definição abstrata em uma situação que podemos analisar. Ele pode facilitar a compreensão e ajudar a reconhecer o mesmo conceito em outros contextos. O cuidado está em não decorar o exemplo e esquecer justamente a ideia que ele deveria explicar.


Por que exemplos ajudam?

Alguns conceitos são difíceis de compreender apenas pela definição.

Considere:

Custo de oportunidade é o valor da melhor alternativa abandonada quando fazemos uma escolha.

A definição está correta, mas pode continuar abstrata.

Agora imagine:

Você tem R$ 50 e precisa escolher entre comprar um livro ou ir ao cinema. Se compra o livro, aquilo de que abriu mão ao tomar a decisão ajuda a compreender o custo de oportunidade.

O exemplo coloca o conceito em funcionamento.

Isso não elimina a necessidade da definição. Ele cria uma situação na qual podemos observar o que ela significa.

O que as pesquisas mostram?

Katherine Rawson, Ruthann Thomas e Larry Jacoby investigaram justamente se exemplos ajudariam estudantes a aprender conceitos abstratos.

No estudo publicado na Educational Psychology Review, estudantes receberam definições de conceitos de Psicologia acompanhadas por diferentes exemplos concretos.

Depois, precisavam reconhecer esses conceitos em outras situações.

Os exemplos ajudaram não apenas quando os participantes encontravam situações já estudadas, mas também na identificação de novos exemplos do mesmo conceito.

Esse detalhe importa.

Aprender um conceito significa conseguir reconhecê-lo além do caso utilizado pelo professor ou pelo livro.

Uma replicação posterior com estudantes de outras áreas encontrou novamente vantagem para quem estudou definições acompanhadas de exemplos.

O benefício apareceu também diante de situações que os participantes não haviam visto anteriormente.

Um exemplo não deve virar a definição

Existe uma armadilha simples.

Imagine aprender protecionismo apenas com este exemplo:

“O governo aumenta a tarifa de importação de automóveis.”

Depois disso, alguém pode começar a associar protecionismo exclusivamente a tarifas ou automóveis.

Só que o conceito é mais amplo.

Barreiras técnicas, quotas e outras medidas também podem integrar políticas protecionistas.

Por isso, um exemplo funciona melhor quando conseguimos responder:

O que exatamente nesta situação representa o conceito?

Essa pergunta força a separar os detalhes do caso da ideia que queremos aprender.

Use mais de um exemplo

Vários exemplos ajudam a perceber aquilo que permanece constante.

Considere inflação:

Exemplo 1: preços de alimentos, serviços e outros bens aumentam de forma persistente.

Exemplo 2: uma economia passa por elevação generalizada do nível de preços durante vários meses.

Agora compare com:

O preço do tomate dobrou esta semana.

O último caso, sozinho, não caracteriza inflação.

Comparar situações ajuda a descobrir quais elementos realmente pertencem ao conceito e quais são apenas características particulares de um exemplo.

Foi justamente essa lógica de múltiplos exemplos por conceito que apareceu nos experimentos de Rawson e colaboradores.

Exemplos diferentes são melhores do que cinco versões da mesma história

Se todos os exemplos forem muito parecidos, o estudante pode aprender detalhes superficiais em vez da estrutura.

Para estudar monopólio, por exemplo, não use apenas cinco histórias sobre empresas de telefonia.

  • Tente variar:
  • um serviço público local;
  • uma empresa com exclusividade legal;
  • um mercado em que apenas um fornecedor consegue operar;
  • uma situação hipotética em que um único vendedor atende todos os compradores.

A pergunta continua sendo:

O que há de comum entre essas situações?

É essa característica compartilhada que aproxima o estudante do conceito.

Criar o próprio exemplo pode ajudar?

Pode, desde que você tenha compreendido minimamente a ideia.

Em experimentos sobre geração de exemplos, Katherine Rawson e John Dunlosky encontraram melhora moderada na aprendizagem quando estudantes produziram exemplos para conceitos que haviam estudado, em comparação com apenas reler as definições.

Uma maneira simples de usar isso é:

  1. leia a definição;
  2. observe um exemplo correto;
  3. feche o material;
  4. crie uma situação diferente;
  5. explique por que ela representa o conceito;
  6. confira se sua interpretação está correta.

O quinto passo é importante.

Produzir qualquer história não basta. É preciso mostrar onde o conceito aparece nela.

Esse exercício se aproxima da elaboração na aprendizagem, porque exige estabelecer e explicar relações.

Exemplos também podem atrapalhar?

Podem, principalmente quando chamam mais atenção para detalhes da história do que para o conceito.

Um exemplo muito engraçado, complexo ou cheio de personagens pode ser lembrado perfeitamente enquanto a ideia que deveria ilustrar desaparece.

Também é possível memorizar um caso sem conseguir reconhecer o mesmo conceito em uma situação diferente.

Por isso, depois de estudar um exemplo, faça duas perguntas:

  1. Por que este caso representa o conceito?
  2. Que outro caso, bastante diferente, também poderia representá-lo?

Se consegue responder às duas, o exemplo provavelmente cumpriu sua função.

Como usar exemplos concretos para estudar?

Uma sequência curta funciona para muitos conteúdos:

Definição → exemplo → explicação → novo exemplo

Primeiro, entenda a definição. Depois, observe uma situação concreta.

Explique qual parte dela corresponde ao conceito.

Por fim, procure ou produza outro exemplo, de preferência diferente do primeiro.

Esse último movimento ajuda a evitar que a aprendizagem fique presa a uma única história.

O exemplo é uma ponte

Exemplos concretos ajudam porque colocam conceitos abstratos em situações que podem ser examinadas, comparadas e explicadas.

Mas uma ponte serve para atravessar.

Se o estudante lembra perfeitamente da história do cinema e do livro, mas não consegue explicar custo de oportunidade em outra situação, ficou parado no exemplo.

Um bom exemplo cumpre sua função quando deixa de ser indispensável.

Depois dele, o conceito precisa conseguir caminhar sozinho.


Se conhece alguém que entende perfeitamente um conceito até o professor trocar o exemplo, compartilhe este texto. Talvez esteja faltando justamente um segundo exemplo.


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