Resolução de problemas: por que saber a resposta não é o mesmo que saber resolver?

Resolver um problema parece significar encontrar uma resposta. Mas, antes disso, é preciso compreender a situação, reconhecer o que importa, recuperar conhecimentos e escolher um caminho. Por isso, saber a resposta e saber resolver não são exatamente a mesma coisa.


Há problemas em quase toda parte.

Eles aparecem em uma equação, quando um equipamento deixa de funcionar, numa decisão profissional ou diante de uma situação para a qual não existe uma resposta imediatamente disponível.

Essa última parte é importante.

Se alguém pergunta quanto é 2 + 2, provavelmente não há muito a resolver. A resposta pode ser recuperada diretamente da memória.

Mas, quando conhecemos o objetivo e não sabemos de imediato como chegar até ele, a situação muda.

É aí que começa a resolução de problemas.

Resolver começa antes da resposta

Um problema não é definido apenas pela dificuldade.

Ele existe quando há uma distância entre o estado atual e aquilo que queremos alcançar, sem que o caminho esteja completamente determinado.

Por isso, resolver pode exigir:

  • compreender o que está sendo pedido;
  • identificar informações relevantes;
  • recuperar conhecimentos anteriores;
  • comparar possibilidades;
  • escolher uma estratégia;
  • acompanhar o resultado;
  • mudar de caminho quando necessário.

A resposta aparece no final. Antes dela, existe uma sequência de operações cognitivas.

É por isso que a resolução de problemas costuma ser tratada entre os processos cognitivos superiores: ela combina conhecimento, memória, raciocínio, planejamento e, muitas vezes, tomada de decisão.

Quem sabe mais enxerga um problema diferente

Imagine um carro produzindo um ruído estranho.

Para alguém que não entende de mecânica, talvez seja apenas um barulho.

Um mecânico experiente pode perceber frequência, localização, momento em que o som ocorre e relacionar essas pistas a algumas causas prováveis.

O estímulo é o mesmo.

O problema percebido não.

Isso acontece porque conhecimento anterior permite reconhecer padrões, eliminar hipóteses pouco prováveis e recuperar estratégias que já funcionaram em situações semelhantes.

Assim, resolver problemas não depende apenas de uma espécie de “capacidade geral para pensar”.

Depende também daquilo que já sabemos sobre o domínio em questão.

Essa é uma das razões pelas quais inteligência e aprendizagem não podem ser reduzidas à rapidez com que alguém encontra uma resposta.

Às vezes, quem parece “resolver mais rápido” simplesmente possui uma estrutura de conhecimentos muito mais organizada para aquele tipo de situação.

Para iniciantes, há mais coisas acontecendo ao mesmo tempo

Quando ainda conhecemos pouco sobre um assunto, cada etapa exige atenção.

Precisamos interpretar o enunciado, lembrar regras, acompanhar operações, avaliar informações e descobrir o próximo passo.

Tudo isso utiliza recursos limitados da memória de trabalho.

É aqui que a carga cognitiva ajuda a explicar por que certos problemas podem se tornar especialmente difíceis para iniciantes.

Se grande parte do esforço mental é consumida tentando manter informações organizadas, sobra menos capacidade para pensar sobre a estratégia.

Por isso, oferecer ajuda inicialmente não significa necessariamente impedir que alguém aprenda a resolver sozinho.

Ver uma solução pode ajudar a aprender a resolver

Em algumas situações, observar como um problema é resolvido ajuda a construir os conhecimentos necessários para futuras tentativas independentes.

John Sweller e Graham Cooper mostraram isso em um estudo clássico sobre exemplos resolvidos, comparando formas de aprendizagem em problemas de álgebra.

A ideia não é entregar respostas indefinidamente. É reduzir parte das exigências enquanto o estudante ainda aprende como uma solução é construída.

Primeiro, algumas decisões podem ser mostradas. Depois, o apoio diminui.

Até que o estudante precise escolher sozinho.

Apenas observar não basta

Em algum momento, é preciso tentar.

É aí que o efeito geração se torna interessante: tentar produzir uma resposta ou uma explicação exige recuperar e reorganizar aquilo que sabemos.

Mesmo quando a tentativa não chega à solução correta, ela pode revelar onde está a dificuldade.

Isso também explica por que errar, sozinho, não garante aprendizagem.

O erro precisa produzir informação.

Se uma tentativa falha e nada muda depois dela, talvez tenhamos apenas repetição.

Se conseguimos identificar por que não funcionou, o erro passa a orientar a próxima tentativa.

Resolver também exige escolher

Alguns problemas têm um procedimento claramente definido. Outros admitem vários caminhos.

Nesses casos, resolver passa a envolver escolher entre alternativas: qual estratégia tentar primeiro? Que informação merece mais atenção? Quando abandonar uma hipótese?

É nesse ponto que resolução de problemas e tomada de decisão começam a se encontrar.

Uma atividade pode exigir tanto descobrir possibilidades quanto avaliar qual delas parece mais adequada.

E, quando os caminhos conhecidos não bastam, também pode aparecer a criatividade: reorganizar conhecimentos anteriores para produzir uma alternativa que ainda não estava pronta.

O problema muda quando o contexto muda

Repetir dez exercícios quase idênticos pode tornar um procedimento familiar.

Por isso, o teste mais interessante aparece quando muda a situação.

Agora é preciso reconhecer quais conhecimentos continuam relevantes e qual estratégia deve ser adaptada.

Nesse sentido, aprender a resolver problemas vai além de memorizar soluções.

Resolver significa construir um caminho quando ele ainda não está completamente disponível.


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