A memória de trabalho consegue lidar com uma quantidade limitada de informação de cada vez. Quando muitas coisas exigem atenção simultaneamente, parte do esforço mental deixa de ser usada para compreender e passa a ser gasta simplesmente tentando acompanhar tudo.
Por que abaixamos o volume quando estamos procurando um endereço?
Talvez você já tenha visto esta cena.
A pessoa está dirigindo normalmente, conversando ou ouvindo música. De repente, precisa encontrar uma rua desconhecida, localizar um número ou entender onde deve virar.
Quase automaticamente, acontece uma destas coisas:
- a conversa diminui;
- o volume da música baixa;
- o motorista pede alguns segundos de silêncio.
Diminuir a música não melhora a visão, claro.
O que muda é a quantidade de coisas disputando atenção naquele momento.
Encontrar o endereço exige observar placas, acompanhar o trânsito, lembrar instruções, comparar números e decidir onde virar.
A música ou a conversa podem continuar possíveis, mas agora competem com uma tarefa que exige mais recursos mentais.
Essa situação cotidiana ajuda a entender a carga cognitiva.
O que é carga cognitiva?
Carga cognitiva é a quantidade de recursos mentais exigida enquanto realizamos uma tarefa.
O conceito está diretamente relacionado aos limites da memória de trabalho, sistema que mantém temporariamente algumas informações disponíveis enquanto pensamos sobre elas.
Para compreender algo novo, precisamos fazer várias coisas ao mesmo tempo:
- acompanhar informações;
- relacionar conceitos;
- lembrar conhecimentos anteriores;
- identificar o que é importante;
- decidir o próximo passo.
Uma revisão sobre o desenvolvimento da teoria da carga cognitiva destaca justamente que a dificuldade depende tanto da complexidade do conteúdo quanto daquilo que o estudante já sabe.
Por isso, a mesma explicação pode ser simples para uma pessoa e extremamente difícil para outra.
Nem toda dificuldade atrapalha
Isso merece atenção.
Reduzir carga cognitiva não significa tornar tudo fácil.
Aprender álgebra, interpretar uma pesquisa científica ou compreender comércio internacional exige esforço porque existem relações que realmente precisam ser pensadas.
Essa dificuldade faz parte da tarefa.
O problema aparece quando adicionamos trabalho mental que não contribui para entender o conteúdo.
Imagine um material em que:
- o gráfico está numa página;
- a legenda está em outra;
- a explicação aparece num terceiro lugar.
O estudante precisa gastar atenção procurando constantemente qual informação corresponde a qual parte.
A matéria já era difícil. Agora a organização também resolveu participar.
Informação demais nem sempre significa aprendizagem maior
É tentador imaginar que um material fica melhor à medida que acrescentamos conteúdo.
- Mais texto;
- Mais exemplos;
- Mais gráficos;
- Mais destaques;
- Mais animações.
Mas completar e sobrecarregar não são a mesma coisa.
Uma revisão de pesquisas sobre redundância em materiais multimídia mostra que repetir informações pode ajudar em algumas situações e prejudicar em outras.
A pergunta maus útil, portanto, não é:
“Posso acrescentar mais alguma coisa?”
É:
“Essa informação ajuda o leitor a compreender?”
Um exemplo pode esclarecer. Cinco exemplos quase iguais podem apenas prolongar a tarefa.
Uma figura pode explicar uma relação difícil. Uma imagem decorativa pode simplesmente disputar atenção.
Quem sabe mais consegue organizar melhor a informação
O conhecimento prévio muda bastante essa conta.
Para quem está começando, uma tarefa pode parecer formada por várias peças independentes.
Para alguém experiente, muitas dessas peças já estão agrupadas.
Pense em dirigir novamente.
Para um motorista iniciante, controlar velocidade, espelhos, marcha, sinalização e posição do carro pode exigir atenção consciente.
Depois de anos de prática, boa parte dessas ações exige muito menos esforço.
Algo semelhante acontece com conteúdos acadêmicos.
É também por isso que os exercícios resolvidos podem ser particularmente úteis para iniciantes: eles reduzem algumas decisões enquanto o estudante ainda está construindo conhecimento.
Mais tarde, apoio demais pode se tornar desnecessário.
Como reduzir carga desnecessária nos estudos?
Algumas decisões simples ajudam.
1. Divida tarefas complexas
Se muitos elementos são novos, compreenda uma parte antes de acrescentar outra.
2. Aproxime informações relacionadas
Gráfico e explicação devem estar próximos sempre que precisarem ser consultados juntos.
3. Retire distrações
Notificações, abas abertas, vídeos paralelos e informações laterais também competem pela atenção.
4. Use apoio quando necessário
Exemplos, esquemas e explicações passo a passo podem ajudar no começo.
Depois, reduza esse suporte.
5. Fortaleça os conhecimentos básicos
Quanto mais conceitos fundamentais estiverem disponíveis na memória de longo prazo, menos esforço será necessário para reconstruí-los durante tarefas mais complexas.
Simplificar é deixar espaço para pensar
Um bom material não elimina o esforço necessário para aprender.
Ele elimina parte do esforço desnecessário.
Se entender determinado conceito exige comparar três ideias, haverá trabalho mental. Tudo bem.
O que não ajuda é obrigar o estudante a fazer essa comparação enquanto acompanha notificações, procura uma legenda distante e tenta descobrir qual das sete cores do slide significa alguma coisa.
A mente já precisa cuidar do conteúdo.
E é por isso que, quando estamos perdidos procurando uma rua, às vezes baixamos o volume do rádio.
O endereço não ficou mais visível.
Só abrimos um pouco mais de espaço para pensar.
