A frase “isso é só uma teoria” tenta rebaixar uma explicação científica a palpite. O truque é trocar o dicionário no meio da conversa: no cotidiano, “teoria” pode ser chute; na ciência, é explicação testada, criticada e… ainda de pé.
Filosofia da Ciência
O que torna algo científico, o que não torna e por que essa distinção importa mais do que parece, ainda mais quando todo mundo diz que “a ciência provou”.
IA não é “inteligente” nem “artificial”: Quando a frase vira argumento (e quando vira atalho)
Há frases que funcionam como martelo: batem no hype, fazem barulho, deixam marca. O problema começa quando o martelo vira régua. Sem definir termos, “IA não é inteligente nem artificial” parece profunda e escapa de qualquer teste.
Correlação e Causalidade: por que “andar junto” pode não provar nada?
Dois fenômenos podem caminhar lado a lado por anos – e ainda assim não ter relação causal. A mente ama coincidências com cara de explicação: “aconteceu junto, logo foi por causa”. Essa pressa produz diagnósticos ruins e certezas barulhentas demais.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro VI: Ciências morais e sociais – método, limites e ambições
O mundo físico costuma perdoar pouco: errou o cálculo, a ponte cai. O mundo humano é mais educado e deixa o erro sobreviver como “explicação plausível”. No Livro VI, Mill pergunta como aplicar método quando as causas se empilham.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro V: Falácias – quando o erro vem bem vestido
Alguns erros são óbvios; os perigosos parecem método. O Livro V é o catálogo do engano respeitável: raciocínios que soam firmes, argumentos que “fecham”, provas que convencem – e, ainda assim, erram. Para Mill, falácia é falha de disciplina.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro IV: Operações auxiliares à indução – o bastidor do método
A indução é a subida; o Livro IV é o corrimão. Mill desce ao trabalho menos glamouroso, e mais decisivo: observar, descrever, abstrair, nomear, definir e classificar. É aqui que a ciência troca a “intuição” pela disciplina.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro III: Indução – o salto controlado do particular ao geral
A ciência vive de um movimento arriscado: olhar alguns casos e afirmar algo sobre muitos. Pode ser método ou superstição com jaleco. Mill pergunta quando a generalização é legítima, quando é só pressa – e qual o papel da causa.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro II: Raciocinar não é “chegar”; é justificar o caminho
A mente adora o destino – “logo, portanto, fim”. Mill desconfia do turismo intelectual: o valor do raciocínio está em mostrar por que ele é correto. O Livro II trata de inferência, prova e o preço de cada “portanto”.
Sistema de Lógica (Mill) – Livro I: O primeiro laboratório é a língua
A ciência adora parecer objetiva, mas tropeça onde menos confessa: nas palavras com que pensa. Mill começa pelo básico – e pelo mais traiçoeiro: nomes, classes, definições. Antes de método, ele calibra o instrumento.
Sistema de Lógica: John Stuart Mill
A ciência avança quando aprende a justificar. Mill ajusta as ferramentas antes de construir: linguagem, inferência, indução, falácias e o terreno humano. A obra é longa, e a ambição é simples: menos brilho retórico, mais lastro.