Videoaula ajuda a aprender? Como assistir sem virar espectador

A videoaula pode ajudar a aprender, principalmente para apresentar conceitos, demonstrar procedimentos e oferecer novas explicações. O risco está em confundir acompanhar uma aula com dominar o conteúdo. Para estudar, é preciso fazer algo com aquilo que aparece na tela.


Videoaula realmente funciona?

Sim. O formato pode ser um bom recurso de aprendizagem.

Uma revisão sistemática com meta-análise sobre vídeos no ensino superior reuniu 105 estudos, com 7.776 participantes.

Em média, substituir parte do ensino por vídeo produziu pequenos ganhos de aprendizagem; usar vídeo como complemento a outras atividades apresentou resultados ainda melhores.

Esse detalhe é importante.

A videoaula não precisa disputar com livros, exercícios ou aulas presenciais. Ela pode cumprir uma função específica dentro do estudo.

Um vídeo pode ser especialmente útil para:

  • ter o primeiro contato com um assunto;
  • acompanhar a resolução de um problema;
  • observar um procedimento;
  • rever uma explicação difícil;
  • visualizar algo que seria complicado representar apenas por texto.

O problema aparece quando assistir se torna a única atividade.

Entender enquanto assiste não garante que você saberá depois

Uma boa videoaula conduz o raciocínio.

O professor apresenta o problema, seleciona as informações relevantes, explica as relações e chega à conclusão. Enquanto acompanhamos esse percurso, tudo pode parecer bastante claro.

Depois, sem o vídeo, surge a verdadeira pergunta:

Consigo explicar sozinho?

É fácil confundir a familiaridade produzida pela explicação com aprendizagem. Afinal, acabamos de ouvir a resposta e reconhecer cada etapa.

Uma maneira simples de testar isso é pausar antes da conclusão de uma explicação e tentar antecipar o próximo passo.

  • Se for um problema, tente resolvê-lo;
  • Se for um conceito, explique o que entendeu;
  • Se for uma relação de causa e consequência, tente completar a explicação antes do professor;
  • A videoaula deixa de ser apenas algo que passa diante dos olhos.

Perguntas durante o vídeo podem fazer diferença

Essa mudança de comportamento também aparece em pesquisas.

Em um experimento sobre vídeos educacionais de Física, pesquisadores compararam diferentes formas de apresentação e encontraram melhores resultados quando os estudantes precisavam responder perguntas incorporadas ao vídeo.

A questão não é espalhar pequenos testes a cada minuto.

O valor está na interrupção da sequência passiva: em algum momento, o estudante precisa produzir uma resposta, em vez de apenas receber a próxima explicação.

Você pode fazer isso mesmo quando o vídeo não possui perguntas.

Pare depois de uma parte importante e formule uma:

  • Qual é a ideia principal?
  • Por que isso acontece?
  • Qual seria um exemplo?
  • O que vem depois?

Responda antes de dar play novamente.

Anotar tudo também pode virar uma forma de assistir

Abrir um caderno não torna automaticamente a atividade mais ativa.

Se você tenta copiar praticamente todas as frases do professor, pode acabar concentrando mais esforço em acompanhar a velocidade da fala do que em compreender.

Prefira anotações seletivas:

  • conceitos centrais;
  • relações importantes;
  • exemplos úteis;
  • dúvidas;
  • pontos que precisam ser retomados.

Se uma explicação é particularmente importante, espere terminar e escreva a ideia com suas próprias palavras.

É a mesma lógica discutida em escrever à mão ou digitar: a ferramenta importa menos do que aquilo que fazemos com a informação.

Pausar e voltar não é sinal de que você está estudando mal

Uma das vantagens do vídeo é justamente controlar o ritmo.

Se uma explicação ficou confusa, volte. Se chegou uma parte densa, pause. Se precisa resolver algo antes de continuar, deixe a tela parada.

Assistir do início ao fim sem interrupção pode ser confortável, mas o contador de vídeos concluídos não mede aprendizagem.

Também não há obrigação de assistir sempre na velocidade original.

Aumentar a velocidade pode ser conveniente em partes já conhecidas; conteúdos novos ou difíceis podem exigir ritmo normal, pausas e retornos.

O critério útil é simples: a velocidade está permitindo compreender?

O que fazer quando a videoaula termina?

Evite clicar imediatamente em “próxima”.

Separe alguns minutos para descobrir o que ficou.

Sem consultar o vídeo, tente:

  1. escrever três ideias principais;
  2. explicar um conceito em voz alta;
  3. responder uma pergunta sobre o conteúdo;
  4. resolver um exercício parecido;
  5. anotar aquilo que não conseguiu recuperar.

Essas atividades aproximam o vídeo da prática de recuperação.

Se surgirem lacunas, volte apenas aos trechos necessários.

Isso é bem diferente de assistir novamente à aula inteira porque “não lembra direito”.

Videoaula ou texto?

Não é preciso escolher um vencedor.

Há conteúdos em que observar movimento ou acompanhar uma demonstração oferece uma vantagem clara. Em outros, um texto permite voltar rapidamente a uma definição, comparar trechos e controlar a leitura com precisão.

Também é possível combinar os formatos.

Uma videoaula pode oferecer o primeiro mapa de um assunto. Depois, um texto aprofunda conceitos. Exercícios verificam se o conhecimento pode ser utilizado.

O recurso deve acompanhar a tarefa.

Como assistir sem virar espectador

Uma rotina bastante simples já muda a experiência:

  • antes: defina o que pretende aprender;
  • durante: pause nos pontos importantes, faça anotações seletivas e tente responder antes da explicação;
  • depois: retire o vídeo de vista e descubra o que consegue explicar ou resolver.

Videoaula ajuda porque pode explicar muito bem. Mas a parte que fica com você depende do trabalho feito durante e depois da explicação.

Se terminou cinco vídeos e não consegue dizer o que aprendeu, talvez tenha feito uma ótima maratona.

Só faltou o estudo.


Se conhece alguém que mede o dia de estudos pelo número de videoaulas concluídas, compartilhe este texto. O botão “próxima aula” pode esperar alguns minutos.


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