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Richard Dawkins é o biólogo britânico que escreveu O Gene Egoísta, criou a palavra “meme” e virou um dos divulgadores de ciência mais lidos do mundo. Também é uma das figuras mais polêmicas da ciência, sobretudo desde Deus, um Delírio.
Oxford, 1976. Um jovem professor de zoologia publica o primeiro livro, com um título que soa como provocação: O Gene Egoísta. Lá pelo capítulo onze, quase de passagem, ele inventa uma palavra para falar de ideias que pulam de cabeça em cabeça, como genes passando de corpo em corpo. E a chama de “meme”.
Quarenta anos depois, a palavra está em todo celular do planeta, só que para nomear figurinhas engraçadas. Dawkins acha graça. E, de certo modo, a internet provou a tese dele: o meme se espalhou, mudou de forma e sobreviveu, exatamente como ele dizia que as ideias fazem.
O autor da palavra, porém, é bem mais difícil de resumir do que ela.
Quem é Richard Dawkins: resumo rápido
- Nasceu: em 26 de março de 1941, em Nairóbi, no Quênia.
- Formação: zoologia em Oxford, doutorado com Nikolaas Tinbergen.
- Onde trabalhou: Oxford, na cátedra de Compreensão Pública da Ciência.
- Área: biologia evolutiva e divulgação científica.
- A ideia que deixou: a evolução vista do ponto de vista do gene.
- Por onde começar: O Gene Egoísta (1976) ou O Relojoeiro Cego (1986).
Do que fala O Gene Egoísta?
O livro muda o foco da evolução: em vez do organismo, o gene. Nessa visão, os seres vivos são “máquinas de sobrevivência” que os genes constroem para se copiar.
A ideia vinha do trabalho de biólogos como W. D. Hamilton e George Williams, mas foi Dawkins quem a tornou vívida, acessível e discutida no mundo todo. Ela chegou até a ficção: o anime Parasyte pode ser lido com essa lente.
O meme teve vida acadêmica mais difícil. Um artigo da revista Trans/Form/Ação mostra que a memética, a tentativa de estudar a cultura como evolução de memes, ainda não se firmou como ciência, com métodos e base empírica bem definidos.
Quais são os livros de Richard Dawkins?
Depois do primeiro sucesso, Dawkins passou a escrever cada vez mais para o grande público. O Relojoeiro Cego (1986) mostrou como a seleção natural produz estruturas complexas sem projetista nenhum, e A Escalada do Monte Improvável (1996) insistiu no mesmo ponto com outras analogias.
Repare no talento: ele pega uma ideia abstrata e a transforma numa imagem que o leitor leva para casa. É a mesma linhagem de Carl Sagan, com um tom mais combativo.
O livro mais recente, The Genetic Book of the Dead (2024), volta à biologia. Defende que cada animal carrega no genoma um registro dos ambientes que os ancestrais enfrentaram.
Do que fala Deus, um Delírio?
Em 2006, Dawkins publicou Deus, um Delírio, que vendeu milhões de exemplares e o transformou num dos rostos do chamado Novo Ateísmo, ao lado de Christopher Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett.
O argumento: a existência de Deus é uma hipótese científica, e fraca. Para os fãs, uma defesa corajosa da razão. Para os críticos, um ataque simplista à experiência religiosa.
Logo no começo, ele separa o Deus pessoal das religiões do Deus de Spinoza, o mesmo de Einstein, que ele lê como metáfora para as leis da natureza.
O caminho até o livro começou cedo. Dawkins passou a infância na África, onde o pai era funcionário colonial britânico, voltou para a Inglaterra aos oito anos e largou a fé anglicana na adolescência, decisão que atribui à leitura atenta de Darwin.
A fama trouxe um padrão que se repete nas redes: provocação, reação, esclarecimento tardio, nova provocação. Dois episódios pesaram mais:
- religião: as críticas duras ao Islã renderam acusações de preconceito;
- identidade de gênero: em 2021, perdeu o título de Humanista do Ano por posts sobre pessoas trans.
Sobre o Islã, ele diz que mira as doutrinas. O título de Humanista do Ano tinha sido dado a ele pela Associação Humanista Americana em 1996.
O que Richard Dawkins faz hoje?
Aos 85 anos, Dawkins segue publicando, dando palestras e debatendo. A obra e a trajetória estão resumidas na Britannica.
Em 2026, chegou a conversar longamente com uma inteligência artificial e saiu da experiência com uma pergunta sobre o que a consciência acrescenta, episódio contado em o que Dawkins viu ao conversar com o Claude.
Um contraponto interessante está no perfil de Marcelo Gleiser, que se diz agnóstico e considera o ateísmo convicto tão pouco científico quanto a fé cega. Os dois concordam sobre a ciência e discordam sobre até onde ela vai.
No fim, Dawkins é duas coisas ao mesmo tempo: um dos maiores tradutores da biologia para o público e uma das vozes mais polarizadoras da ciência. A clareza dele é indiscutível. A disposição para ouvir, nem sempre.
Críticas a Richard Dawkins
Além das polêmicas sobre religião, a biologia de Dawkins também tem críticos:
- o gene no centro: para Gould, a seleção age também sobre organismos e grupos;
- o meme: a memética nunca produziu uma teoria testável;
- o tom: até ateus acham agressivo o jeito como ele trata a religião.
Stephen Jay Gould e Richard Lewontin acusaram a abordagem de reducionismo genético, e o debate atravessou décadas. Ainda assim, O Gene Egoísta segue entre os livros de biologia mais lidos fora da universidade.
Se fizer sentido para você, comente e compartilhe – e conte qual ideia sua você gostaria de ver se espalhar como um meme.