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Neil deGrasse Tyson é o astrofísico americano que dirige o Planetário Hayden, em Nova York, e apresentou a nova versão de Cosmos. Tirou Plutão da lista de planetas do museu e levou a astrofísica para a conversa de bar.
Dezembro de 1975. Um garoto de dezessete anos, do Bronx, desce de um ônibus em Ithaca, no interior do estado de Nova York, debaixo de neve. Quem o espera na rodoviária é Carl Sagan, que tinha lido a carta de candidatura do rapaz e resolveu convidá-lo para passar um sábado em Cornell.
Sagan mostra o laboratório, conversa a tarde inteira e, na hora da despedida, anota o telefone de casa num papel. Se o ônibus não saísse por causa da neve, era só ligar: o garoto dormiria lá. O ônibus saiu. Mas Tyson guardou o papel e, anos depois, contou que naquele dia aprendeu que tipo de cientista queria ser e, principalmente, que tipo de pessoa.
O garoto escolheu estudar em Harvard. Só que a lição de Cornell foi junto com ele, e ainda está em curso.
Quem é Neil deGrasse Tyson: resumo rápido
- Nasceu: em 5 de outubro de 1958, em Nova York, e cresceu no Bronx.
- Formação: física em Harvard (1980), mestrado na Universidade do Texas (1983) e doutorado em astrofísica na Universidade Columbia (1991).
- Onde trabalha: no Planetário Hayden, do Museu Americano de História Natural, que dirige desde 1996.
- Área: astrofísica e divulgação científica.
- Marca registrada: a série Cosmos (2014 e 2020) e o programa StarTalk.
- Por onde começar: Astrofísica para Apressados (2017).
Qual a relação entre Neil deGrasse Tyson e Carl Sagan?
A astronomia entrou na vida de Tyson bem antes da carta.
Aos nove anos, numa visita escolar ao Planetário Hayden, ele olhou para o céu projetado na cúpula e decidiu ali mesmo o que ia fazer da vida. Depois veio o Bronx High School of Science, escola pública que já formou vários ganhadores do Nobel, e um telescópio no terraço do prédio onde morava.
Acontece que, nos anos 1970, a astrofísica americana tinha pouquíssimos cientistas negros, e Tyson sentiu isso na pele. Por isso o gesto de Carl Sagan pesou tanto. E, décadas depois, o círculo se fechou de um jeito quase literário: em 1996, Tyson virou diretor do mesmo planetário que o tinha encantado na infância.
Em 2014, aconteceu o resto. A produção de Cosmos: Uma Odisseia do Espaço-Tempo, continuação da série que Sagan apresentou em 1980, chamou Tyson para ocupar a cadeira do mestre. Uma segunda temporada, Mundos Possíveis, veio em 2020. Sagan tinha aberto a porta para ele; Tyson passou a segurá-la para milhões de espectadores.
Por que Neil deGrasse Tyson tirou Plutão da lista de planetas?
Em 2000, o Planetário Hayden reabriu depois de uma reforma enorme.
E, na exposição nova, Tyson tomou uma decisão que ninguém esperava: agrupou Plutão com os objetos gelados do Cinturão de Kuiper, fora da lista dos planetas.
Só que ninguém reparou até janeiro de 2001, quando o New York Times publicou a história. Aí a coisa explodiu:
- Cartas indignadas, muitas delas de crianças, chegaram aos montes ao museu.
- A União Astronômica Internacional acabou dando razão a ele em 2006, quando reclassificou Plutão como planeta anão.
- O episódio virou livro, The Pluto Files (2009), com as cartas mais engraçadas incluídas. Dez anos depois, outras cartas de leitores viraram Respostas de um Astrofísico (2019).
Veja como Tyson transformou uma polêmica técnica em aula pública. É o talento dele: pegar uma decisão de astrônomo e fazer o público inteiro discutir o que, afinal, conta como planeta.
O que é o StarTalk e quais são os livros de Tyson?
Em 2009, Tyson lançou o StarTalk, primeiro um programa de rádio, depois podcast e programa de TV, em que conversa sobre ciência com astronautas, atores, músicos e comediantes. Os livros seguiram a mesma linha, sempre curtos e diretos, e o mais vendido deles, Astrofísica para Apressados, cabe numa viagem de metrô. Ele também serviu em duas comissões presidenciais sobre política espacial, em 2001 e 2004.
Mas nem tudo foi aplauso. Os tuítes corrigindo a física dos filmes de Hollywood dividiram o público entre quem achava divertido e quem achava pedante. E, em 2018, algumas mulheres acusaram Tyson de condutas inadequadas.
As emissoras envolvidas abriram investigações, os programas voltaram ao ar, e ele admitiu parte dos episódios e negou outros. O caso deixou marca na imagem pública dele e reacendeu o debate sobre a cultura de celebridade na ciência.
O que Neil deGrasse Tyson faz hoje?
Tyson segue no ar, nos palcos e nas redes, com a mesma disposição de corrigir ciência errada onde ela aparecer, seja num filme, seja no noticiário. Os programas estão reunidos no site do StarTalk, e a biografia completa pode ser conferida na Britannica.
No Brasil, quem ocupa um lugar parecido é Marcelo Gleiser, que também levou a física para a televisão de domingo. E a linhagem que começa em Sagan tem outro capítulo no post sobre as frases e mitos de Carl Sagan.
No fim, a história de Tyson é a de uma gentileza que funcionou. Sagan gastou um sábado com um adolescente desconhecido, e o adolescente passou a vida retribuindo.
Críticas a Neil deGrasse Tyson
Tyson é o divulgador científico mais visível dos Estados Unidos, e a exposição constante traz críticas:
- o desprezo pela filosofia: em 2014, num podcast, Tyson disse que a filosofia pode atrapalhar um cientista, e filósofos responderam que a ciência depende de perguntas filosóficas;
- citações erradas: no mesmo ano, jornalistas mostraram que ele atribuía a George W. Bush uma frase que o ex-presidente não disse daquela forma, e Tyson pediu desculpas;
- a simplificação: críticos acham que o tom de certeza dele nas redes transforma questões abertas em respostas prontas.
Os fãs respondem que poucos levaram tanta gente aos planetários e às aulas de astronomia.
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