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A internet está sendo soterrada por lixo gerado por IA: livros sem autor, vídeos sem sentido, bots conversando com bots. O documentário da DW, de graça no YouTube, pergunta o que sobra quando a busca para de achar gente.
Ficha Resumida
- Título Original
- KI – Der Tod des Internets
- Duração
- 51 minutos
- Ano
- 2025
- País
- Alemanha
- Direção
- Mario Sixtus
- Título em inglês
- Will AI lead to the death of the internet?
- Distribuição
- DW Documentary no YouTube (gratuito), desde maio de 2026
Do que trata o documentário da DW sobre a morte da internet?
O filme é do jornalista e cineasta alemão Mario Sixtus, que há anos documenta a cultura digital. A DW o publicou em inglês no YouTube, de graça, em maio de 2026.
A pergunta é como a rede, criada como espaço de conhecimento livre, virou tão rápido um depósito de conteúdo produzido por máquinas.
Sixtus mostra que um ou dois comandos numa ferramenta de IA generativa bastam para fabricar livros de autoajuda vazios e vídeos de notícias feitos de puro nonsense.
O fenômeno tem até mascote: o “Jesus camarão”, imagem absurda gerada por IA que circulou no Facebook em 2024, feita para agradar ao algoritmo.
O que é a teoria da internet morta?
É a ideia de que a maior parte do que circula na rede já sai de bots, com cada vez menos gente do outro lado.
Ela nasceu como teoria conspiratória em fóruns, e o blog já separou o que nela é exagero em A teoria da internet morta. O documentário se concentra na parte que os dados já confirmam.
Em Nova York, o filme encontra um podcaster que clonou a si mesmo com IA. A cena devolve a pergunta da máquina de experiências de Nozick: importa se do outro lado há alguém?
Quem treina a inteligência artificial?
Sixtus vai ao Quênia e encontra um trabalhador de cliques mal pago que treina IA. É a parte da cadeia que a propaganda das empresas não mostra.
O mesmo tema aparece em Ghost in the Machine e na lógica de O Trabalho por Aplicativo: tarefa picada, salário baixo, chefe invisível.
Três especialistas organizam o diagnóstico:
- Cory Doctorow – escritor e ativista, criador do termo enshittification, que descreve a piora deliberada das plataformas.
- Melanie Mitchell – cientista da computação, autora de um dos livros mais lúcidos sobre os limites da IA.
- Mats Schönauer – jornalista alemão e crítico de mídia, especialista em expor conteúdo enganoso.
O que aconteceu depois do documentário da DW
Depois da estreia, o diagnóstico ganhou números e até livro:
- Abril de 2025 – o relatório anual da Imperva mostrou que o tráfego automatizado passou o humano em 2024, com 51% do total.
- Outubro de 2025 – Cory Doctorow lançou o livro Enshittification, que transforma em tese a piora das plataformas descrita no filme.
- Fevereiro de 2026 – a TV pública suíça SRF recomendou o documentário entre as dicas de streaming.
A rede segue viva. O que o filme mostra é que achar gente nela ficou mais difícil.
Vale a pena assistir ao documentário da DW sobre a morte da internet?
Vale. Para entender a rede de hoje, é o melhor dos documentários recentes da seção. São 51 minutos com ritmo de ensaio:
- O ponto forte – a demonstração de como se fabrica lixo com dois comandos convence mais que qualquer estatística.
- A ressalva – o tom é de alarme, e a saída para uma internet mais saudável aparece só como esboço.
- Idioma – a versão da DW é em inglês, com legendas automáticas em português.
Para pensar o que fazer com a informação que sobra, leia A verdade em crise e o texto sobre câmaras de eco.
E volte a O Dilema das Redes, onde a lógica do engajamento que alimenta esse lixo começa.
Se fizer sentido para você, comente e compartilhe – quantas das coisas que você viu na internet hoje foram feitas por alguém?