O que é inteligência artificial, como funciona e para que serve?

Inteligência artificial é o conjunto de sistemas capazes de reconhecer padrões, fazer previsões, recomendar decisões ou gerar conteúdo. Para entender como a IA funciona, é preciso separar o termo amplo das tecnologias que existem dentro dele.


SÉRIE · Fundamentos da IA
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O que é Inteligência Artificial?

Inteligência artificial, ou IA, não é uma tecnologia específica.

É um campo amplo que reúne sistemas desenvolvidos para realizar tarefas associadas a capacidades como aprendizagem, reconhecimento de padrões, previsão, geração de conteúdo e tomada de decisão.

Uma definição útil é a adotada pela OCDE em sua definição atualizada de sistema de IA:

sistemas baseados em máquinas que recebem determinadas entradas e inferem como produzir resultados — previsões, conteúdo, recomendações ou decisões — capazes de influenciar ambientes físicos ou virtuais.

A definição é importante porque evita uma confusão comum: chamar de IA qualquer programa sofisticado.

Dentro desse campo existem tecnologias diferentes. Entre elas:

  • machine learning, em que sistemas identificam padrões a partir de dados;
  • redes neurais artificiais, estruturas computacionais formadas por unidades interligadas;
  • deep learning, que utiliza redes neurais com várias camadas.

Elas tecnologias se relacionam. Porém, não são sinônimos.

Como funciona a inteligência artificial?

Não existe um único modo de funcionamento para toda IA. Um sistema de recomendação, um detector de fraude e um modelo de linguagem resolvem problemas diferentes.

Boa parte da inteligência artificial atual, porém, depende de aprendizado de máquina (machine learning).

Em vez de receber todas as regras explicitamente programadas, o sistema analisa exemplos e ajusta seus parâmetros para encontrar regularidades nos dados.

Imagine um programa treinado para reconhecer gatos em fotografias. Ele não precisa receber uma definição escrita de gato.

Durante o treinamento, processa grande quantidade de imagens e aprende quais combinações de características ajudam a distinguir um gato de outros objetos.

Depois, aplica o que aprendeu a imagens que nunca havia encontrado.

Modelos de linguagem trabalham com uma lógica semelhante, embora em escala e complexidade muito maiores.

Eles aprendem relações estatísticas presentes em grandes conjuntos de textos e utilizam essas relações para produzir sequências de linguagem.

É daí que vem parte da capacidade de responder perguntas, resumir documentos, traduzir, escrever código ou continuar uma frase.

Isso também explica uma limitação importante: produzir uma resposta plausível não significa compreender o assunto ou produzir uma informação verdadeira.

Quando surgiu a Inteligência Artificial?

A ideia de construir máquinas capazes de realizar tarefas associadas à inteligência é antiga, mas a IA como campo de pesquisa ganhou forma no século XX.

Em 1950, Alan Turing publicou “Computing Machinery and Intelligence”.

Em vez de tentar resolver filosoficamente a pergunta “uma máquina pode pensar?”, propôs avaliar algo observável: seu comportamento durante uma interação.

Em 1956, pesquisadores reunidos no Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence ajudaram a consolidar o próprio nome artificial intelligence e a ideia de transformá-la em um programa organizado de pesquisa.

O campo passou depois por períodos de entusiasmo, avanços e frustrações.

O que mudou nas últimas décadas foi a combinação de capacidade computacional, disponibilidade de dados, novos métodos de aprendizado e infraestrutura suficiente para colocar esses sistemas em produtos usados por milhões de pessoas.

A IA, definitivamente, não começou com o ChatGPT. Porém, essa ferramenta tornou muito mais visível algo que já vinha sendo construído há muito tempo.

Para que serve a Inteligência Artificial?

A IA é utilizada quando interessa encontrar padrões, fazer previsões, classificar informações, produzir conteúdo ou apoiar decisões em uma escala difícil de executar manualmente.

Hoje, sistemas de IA podem:

  • identificar objetos em imagens;
  • detectar fraudes e anomalias;
  • recomendar filmes, músicas ou produtos;
  • traduzir idiomas;
  • prever demanda ou comportamento;
  • auxiliar diagnósticos;
  • gerar textos, imagens e códigos;
  • analisar grandes conjuntos de informações;
  • automatizar etapas de processos.

Por isso ela aparece em setores tão diferentes quanto saúde, educação, finanças, indústria, comércio e entretenimento.

Inteligência artificial é realmente inteligente?

Depende do que chamamos de inteligência.

Sistemas atuais podem superar seres humanos em tarefas específicas, processar enormes volumes de dados e produzir resultados que parecem exigir raciocínio.

Agora, isso não significa automaticamente que possuam compreensão, consciência ou intenção.

Essa diferença atravessa boa parte da história da IA e continua aberta.

Para compreender o que um sistema faz, costuma ser mais produtivo perguntar:

  • qual tarefa ele executa?
  • com quais dados ou informações trabalha?
  • como chega ao resultado?
  • quais são seus limites?
  • quem definiu os critérios usados pelo sistema?

A última pergunta é especialmente importante porque tecnologias também organizam escolhas.

Um sistema pode decidir o que aparece primeiro em uma busca, quem recebe determinada recomendação ou quais informações ganham visibilidade.

É esse problema que aparece em Artefatos têm política: IA como tecnologia de poder

No AI Risk Management Framework, o NIST trata confiabilidade, transparência, explicabilidade e gestão de riscos como partes do desenvolvimento e do uso responsável desses sistemas.

Entender IA começa pelos fundamentos

Vimos que a inteligência artificial é o campo amplo que busca simular capacidades humanas.

No entanto, para que a máquina pare de apenas seguir regras fixas e passe a encontrar seus próprios padrões, ela precisa de um método.

O próximo passo é entender o motor da IA contemporânea: o Machine Learning (aprendizado de máquina).


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