O que são agentes de IA e como eles funcionam?

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Agentes de IA são sistemas capazes de receber um objetivo, escolher etapas, usar ferramentas e executar ações para concluir uma tarefa. A diferença está justamente aí: em vez de apenas responder, eles podem decidir o que fazer em seguida.


SÉRIE · Da instrução à ação
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O que são agentes de IA?

Um agente de inteligência artificial é um sistema desenvolvido para realizar tarefas em busca de um objetivo, com algum grau de autonomia para decidir quais passos executar.

Se você pergunta a um chatbot:

Quais documentos preciso levar para uma viagem?

ele pode fornecer uma lista.

Um agente, dependendo das ferramentas e permissões disponíveis, poderia consultar informações atualizadas, verificar seu itinerário, identificar os documentos necessários e organizar os resultados para aquela viagem específica.

O Google Cloud define agentes de IA como sistemas de software que usam inteligência artificial para alcançar objetivos e concluir tarefas em nome dos usuários, recorrendo a capacidades como planejamento, memória e tomada de decisão.

Qual é a diferença entre um chatbot e um agente?

A fronteira nem sempre é visível na interface; ela aparece no que o sistema faz depois do pedido.

Um chatbot tradicional tende a seguir esta lógica:

pergunta → processamento → resposta

Um agente pode trabalhar assim:

objetivo → análise da situação → escolha de uma ação → uso de ferramenta → avaliação do resultado → próxima ação

Esse ciclo pode continuar até que a tarefa seja concluída ou o sistema precise devolver o controle ao usuário.

A OpenAI descreve essa passagem de interações pontuais para tarefas delegadas e de maior duração: agentes podem coordenar chamadas de ferramentas, interagir com ambientes e iterar em direção a uma solução por períodos maiores do que uma conversa isolada.

Por isso, um aplicativo que apenas chama um modelo de linguagem e exibe sua resposta não se torna automaticamente um agente.

O que um agente precisa para funcionar?

Não existe uma única arquitetura, mas alguns componentes aparecem com frequência.

Um objetivo

O agente precisa saber o que está tentando alcançar.

Pode ser:

encontre três horários livres para uma reunião;

revise estes arquivos e identifique inconsistências;

pesquise opções de viagem dentro de determinado orçamento.

Um modelo

Em agentes baseados em IA generativa, um modelo pode interpretar a tarefa, avaliar informações e decidir quais ações parecem adequadas.

Como vimos em O que é um modelo de linguagem e como ele funciona?, o modelo é apenas uma peça do sistema.

Ferramentas

Sem ferramentas, o agente fica restrito ao que produz diretamente; com elas, pode pesquisar, consultar arquivos, acessar sistemas ou executar código.

Estado e contexto

Em tarefas com várias etapas, o sistema precisa acompanhar o que já aconteceu e o que ainda falta.

É aí que contexto, memória de trabalho e estado passam a importar.

O próprio Microsoft Agent Framework diferencia uma chamada simples a um modelo de um agente ao acrescentar elementos como instruções persistentes, ferramentas, sessão, memória e um ciclo de execução.

Como um agente decide o próximo passo?

Considere a tarefa:

Encontre três restaurantes próximos ao hotel e organize as melhores opções para jantar.

Um agente poderia:

  1. identificar onde fica o hotel;
  2. procurar restaurantes próximos;
  3. consultar avaliações e horários;
  4. comparar as opções;
  5. apresentar três recomendações.

Essas etapas não precisam ser rigidamente determinadas antes da execução.

O sistema pode observar o resultado e decidir o passo seguinte.

Se um restaurante estiver fechado, procura outro. Se não encontrar a localização do hotel, pede esclarecimento. Se determinada ferramenta falhar, pode tentar uma alternativa.

É essa possibilidade de agir, observar e ajustar o caminho que caracteriza boa parte dos sistemas agentivos.

Onde entra o harness?

No texto sobre harness em IA, vimos a infraestrutura que pode fornecer ferramentas, contexto, estado, regras e mecanismos de execução ao redor do modelo.

Uma maneira simples de separar os conceitos é:

harness = infraestrutura de execução

agente = sistema orientado a um objetivo que utiliza essa infraestrutura para decidir e agir

Todo agente precisa funcionar sozinho?

Não.

Autonomia não significa ausência de controle humano.

Um agente pode ter liberdade para pesquisar informações, mas precisar de autorização antes de enviar um e-mail, fazer uma compra ou alterar um arquivo.

Quanto maior a consequência de uma ação, maior a necessidade de limites, registros e confirmações.

Portanto, “agente autônomo” não deveria ser entendido como “software autorizado a fazer qualquer coisa”.

Em sistemas bem controlados, a autonomia deve operar dentro de permissões e limites definidos.

Agentes podem trabalhar juntos?

Sim.

Uma tarefa complexa pode ser dividida entre agentes especializados: um pesquisa, outro analisa dados e um terceiro revisa o resultado.

Isso também aumenta a complexidade, a troca de contexto e os pontos em que algo pode dar errado.

Por isso, usar vários agentes não é necessariamente a escolha mais acertada.

Quando agir em seu nome exige uma identidade

Um agente pode receber um objetivo, escolher etapas, utilizar ferramentas e executar ações.

Isso muda a natureza da relação com a inteligência artificial.

Quando um chatbot apenas responde, a preocupação principal costuma ser a qualidade da resposta. Quando um agente pode consultar uma agenda, enviar uma mensagem, alterar um arquivo ou contratar um serviço, aparecem outras perguntas.

  • Quem autorizou aquela ação?
  • Até onde vai essa autorização?

E, se algo acontecer depois, como saber se foi a pessoa ou o agente que realmente executou a operação?

Quanto mais capacidade damos a esses sistemas, mais importante se torna distinguir quem pediu, quem decidiu e quem fez.

É daí que surge o último conceito desta trilha: a identidade de agentes de IA.

No próximo texto, veremos por que identificar tecnicamente um agente se torna necessário quando uma máquina começa a agir em nome de alguém.


DA INSTRUÇÃO À AÇÃO

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