Feedback pode mostrar o que funcionou, onde está o problema e qual deve ser o próximo passo. Mas nem toda correção ajuda da mesma forma. Para aprender, o estudante precisa transformar a informação recebida em alguma ação: revisar, corrigir, refazer ou mudar a estratégia.
Feedback realmente ajuda a aprender?
Em geral, sim. Mas depende muito do tipo de feedback.
Uma meta-análise de Benedikt Wisniewski, Klaus Zierer e John Hattie reuniu 435 estudos, quase mil efeitos e mais de 61 mil participantes.
O feedback apresentou efeito positivo médio sobre a aprendizagem, mas os resultados variaram bastante.
Um dos pontos importantes foi justamente o conteúdo da informação: feedback que oferecem informações úteis sobre a tarefa e o processo tendem a ter mais valor do que comentários pouco informativos.
Isso ajuda a explicar por que estas duas correções fazem coisas diferentes:
“Errado.”
e:
“Você identificou corretamente o conceito, mas aplicou a regra ao caso errado. Compare as condições dos dois exemplos e tente novamente.”
A primeira informa o resultado.
A segunda oferece material para a próxima tentativa.
Nota não é feedback suficiente
Uma nota resume desempenho.
Se você tirou 70 de 100, sabe aproximadamente como foi. Ainda não sabe necessariamente por que perdeu os outros 30 pontos.
O mesmo vale para:
- bom trabalho
- precisa melhorar
- parabéns
- estude mais
Essas mensagens podem comunicar aprovação, desaprovação ou incentivo, mas oferecem pouca orientação sobre o que fazer depois.
Em uma revisão clássica sobre feedback formativo, Valerie Shute destaca que o feedback tende a ser mais útil quando fornece informação específica que pode modificar o pensamento ou o comportamento do estudante.
“Precisa melhorar” deixa uma pergunta bastante razoável:
melhorar o quê?
Um feedback útil responde a três perguntas
John Hattie e Helen Timperley propuseram, em The Power of Feedback, uma estrutura organizada em torno de três perguntas:
Para onde estou indo?
Qual é o objetivo ou o padrão esperado?
Como estou indo?
O que meu desempenho atual mostra?
Qual é o próximo passo?
O que preciso fazer para avançar?
Imagine uma resposta escrita.
Um comentário como: “A argumentação está fraca.”, indica um problema, mas pouco orienta.
Compare com:
“A conclusão aparece, mas faltam evidências ligando os dados ao argumento principal. Acrescente essa relação antes de ampliar o texto.”
Agora o estudante sabe onde está e o que fazer.
Feedback sobre a tarefa é diferente de elogio
Um comentário pode se concentrar na resposta:
“Você confundiu correlação com causalidade.”
No processo:
“Antes de concluir que X causou Y, verifique se o estudo permite fazer uma afirmação causal.”
Ou apenas na pessoa:
“Você é muito inteligente.”
Os três comentários podem soar positivos ou úteis, mas carregam quantidades diferentes de informação para a aprendizagem.
Hattie e Timperley destacam que comentários voltados apenas ao eu, como elogios gerais, tendem a ser menos diretamente relacionados à tarefa do que feedback sobre o desempenho, o processo utilizado ou a maneira de avançar.
Isso não significa que elogiar alguém seja proibido.
Significa apenas que elogio e orientação cumprem funções diferentes.
“Excelente!” pode ser agradável de receber.
“Excelente porque você comparou as duas teorias usando o mesmo critério” também explica o que vale a pena repetir.
O que fazer quando recebe uma correção?
Primeiro, não olhe apenas para a nota.
Escolha um ou dois comentários importantes e transforme-os em ações.
Se recebeu:
“Faltou explicar a relação entre os conceitos.”
a tarefa pode virar:
“Reescrever este parágrafo mostrando por que A leva a B.”
Se recebeu:
“Confundiu duas categorias.”
a próxima ação pode ser:
“Comparar as duas lado a lado e criar um exemplo para cada uma.”
Se recebeu:
“Procedimento correto, erro no cálculo final.”
provavelmente não precisa reaprender todo o conteúdo. Precisa localizar o ponto do procedimento que falhou.
É exatamente essa passagem da correção para a ação que aproxima feedback do que discutimos em corrigir erros nos estudos.
E quando o feedback está errado ou pouco claro?
Também acontece.
Feedback não se torna verdadeiro apenas porque veio escrito em vermelho.
Se um comentário parece incompatível com a atividade, volte aos critérios e tente entender o que foi solicitado.
Pergunte:
- Qual parte da resposta não atende ao critério?
- Pode mostrar um exemplo do que seria esperado?
- O problema está no conteúdo, na organização ou na forma?
Pedir esclarecimento é diferente de defender automaticamente a própria resposta.
Primeiro entenda a correção. Depois, se houver motivo, discuta-a.
Quanto mais feedback, melhor?
Não necessariamente.
Uma página coberta por vinte observações pode deixar o estudante sem saber onde começar.
Para uma tarefa complexa, pode ser mais produtivo priorizar alguns pontos importantes e trabalhar neles antes de corrigir cada detalhe.
O mesmo vale para quem estuda sozinho.
Depois de um simulado, você pode encontrar quinze erros. Nem todos precisam receber a mesma atenção.
Comece pelos que se repetem, comprometem conceitos centrais ou revelam uma compreensão equivocada.
Feedback precisa orientar. Se produz apenas uma lista infinita de defeitos, a bússola veio com opções demais.
Feedback termina com uma nova tentativa
Receber uma boa explicação sobre o erro ainda não mostra que ele foi corrigido.
Depois de revisar, tente novamente.
Reescreva o trecho. Resolva outro problema.
Explique o conceito sem olhar. Responda uma questão semelhante.
É nessa nova tentativa que você descobre se a informação recebida modificou realmente aquilo que consegue fazer.
Por isso, um bom feedback não encerra uma atividade. Ele cria a próxima.
A correção apenas diz onde mexer. O aprendizado aparece quando alguma coisa efetivamente muda depois dela.
